quarta-feira, 3 de agosto de 2016

NUNO ESPIRITO SANTO

Meu caro Nuno

Permita-me, antes de mais, tratá-lo pelo seu nome, sem nenhum "qualificativo" a antecedê-lo. Para mim é mais fácil e não me parece que venha mal nenhum ao mundo.

Começo por dizer que, para mim, não seria o meu treinador preferido. Seria Marco Silva. Mas não se preocupe. Eu também não gostava de Jesualdo, fui contra a contratação de Villas Boas, achei que Vitor Pereira não percebia nada de bola e que Paulo Fonseca era o homem certo. Como se comprova, quem não percebe nada disto sou eu.

Mas vamos ao que, de facto, interessa. Comecemos pelo princípio. Não invejo a "sorte" que lhe calhou. O senhor veio parar a um clube que vive uma guerra interna e cujo presidente, apesar de tudo aquilo que já conseguiu, já está na fase descendente do seu percurso. Vive, por isso, de medidas avulsas, cujas consequências só serão visíveis daqui por uns tempos. Foi por isso que veio Lopetegui e toda a "armada espanhola" que se anda a tentar "despachar". E foi por isso que foi embora Lopetegui e veio Peseiro.

É, por isso, fundamental que seja o senhor a ter o pulso firme e a impôr uma mística que se perdeu ao longo dos tempos no plantel. Esta mística ia sendo compensada pelos treinadores e pela "estrutura", mas esta perdeu essa mística, fruto da guerra de bastidores que vai sofrendo. Pelo que, voltando à vaca fria, terá que ser o senhor a isolar o plantel do resto e a ter o pulso firme. Os jogadores não podem ser "primas-donas" (para isso terão que ir para o teatro e para a ópera) e terão que estar unidos em volta de uma estratégia. Penso que nisso o senhor é competente, pelo que se viu no Valência de há dois anos.

E então vamos à estratégia. O plantel é mais fraco que o dos outros? É. Na minha opinião é. Mas tem coisas boas, e então há mesmo que as explorar a fundo. E, claro, tentar limitar as (muitas) coisas más que tem. Comecemos então pelo princípio. Um ataque ganha jogos, mas a defesa ganha campeonatos. Esta máxima tem muitos anos e continua mais actual (permita-me o uso do anterior acordo ortográfico) que nunca.

Na baliza temos Casillas e José Sá. E temos também o Gudiño. Parece liquido jogar Casillas. Contudo, eu preferia ver jogar Sá. É português e porque o Casillas só defende bem entre os postes e a sair é uma lástima. Se desse para o dispensar seria tanto melhor.

Na defesa temos Maxi e ao que parece irá jogar Varela também como lateral direito. Perdoe-me a franqueza, mas parece-me absurdo. Maxi tem 32 anos (ver aqui) e Varela tem 31 (ver aqui). Parece urgente a renovação desta ala. Mas você está a pensar em adaptar um extremo na fase final da carreira (logo, com menos fulgor físico) e jogar com um defesa também na fase final da carreira. Porque não fazer Vitor Garcia aprender mais depressa? Ele está mesmo na hora de começar a jogar. E para o ano vem Ricardo Pereira do Nice. Do outro lado fez-se aquilo que se esperava. Fica Layun e contratou-se alguém de créditos para concorrência. Ambos podem também fazer mais posições. Pergunto: será Layun a principal alternativa de Maxi? Mas ele nem jogado aí...

Guardo um parágrafo para os centrais. Temos 4 e, pelo que se diz, tirando Felipe não fazem um. Virá Boly. Marcano é um perigo e Chidozie tem muito que andar. Martins Indi não conta (e ainda bem). Permita-me que sugira Danilo para central. Vai-me dizer que Danilo é importante como trinco, mas eu acho que tem tudo para ser um belíssimo central - posiciona-se bem e sabe jogar com a bola nos pés.

E pelo seguinte. Eu acho que o senhor tem que jogar em 4x4x2. Sim. Pelo plantel que tem e face às limitações de dinheiro, a melhor forma de jogar com este plantel seria em 4x4x2. E seria dessa forma útil retirar Danilo para o centro da defesa, dando jogo a Ruben Neves e Herrera, ficando André e Oliveira como alternativas. Se conseguir vender Herrera à Juventus fica Teixeira como alternativa. Eu até gosto de Oliveira (fez um bom final de época) e conta muito para a Champions como jogador formado no clube. Dá sempre jeito.

Ora, nas alas a coisa fica composta. Octávio e Brahimi de um lado e Varela e Corona do outro. Está a ver a importância do Vitor Garcia em aprender depressa? Hernani não me convence e Varela é sólido como alternativa.

Na frente temos André Silva, Aboubakar, Adrian Lopez e Alberto Bueno. Os dois primeiros na frente e os outros dois como segundos PLC são competentes o suficiente para serem potenciados. Penso que assim será o ideal.

Acima de tudo, gostaria de ver um futebol "para a frente" e não o "rendilhado" de Lopetegui. Não entusiasma e aborrece.

Lembre-se acima de tudo do seguinte: depende da sua capacidade de liderança que as coisas corram bem para o futuro. O seu, e o do clube.

Votos de um bom trabalho para esta época.

Cumprimentos

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

2015: BALANÇO

2015 foi um ano muito interessante. Foi um ano em que houve eleições, e os que ganharam afinal perderam e os que perderam afinal ganharam. O nosso primeiro-ministro é conhecido como "mágico" em terras espanholas e serve como "inspirador-mor" para os políticos de toda a Europa. O Benfica foi bicampeão e o treinador foi para o Sporting. Nas comemorações um agente da PSP agrediu um adepto. Foi o escândalo e toda a gente disse que foi uma brutidade e que o homem deveria ir embora. Foi suspenso por 200 dias. Foi o ano em que doentes morreram porque médicos fizeram birras e mais um banco faliu. Foi o ano em que o Syriza entrou idealista e saiu pragmático, O ano em que morreu Manoel de Oliveira e Mariano Gago. O ano em que Froome ganhou o Tour mas que foi assobiado como nunca nenhum foi. E foi o ano dos ataques ao Charlie Hebdo.

Para mim foi mais um ano. Está tudo na mesma. Continuo a viver em Lisboa e a trabalhar em Lisboa. Continuo com as minhas bandas e comprei um clarinete novo. Enfim, tudo na mesma. Foi, ainda assim, um ano melhorzinho que 2014. Estou mais adaptado a Lisboa e a uma nova vida, diferente da que vivi até então.

E venha então 2016. E Deus queira que seja melhor que 2015. Mesmo que não pareça...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

UM TREINADOR À DERIVA

Uma das substituições com as quais aprendi muito sobre futebol foi feita por Ancellotti, ainda treinador do AC Milan. Contexto: jogo da Champions, quartos de final, contra o Lyon. O Milan precisa de marcar um golo e bate contra uma parede que era a defesa do então campeão francês.

Por aquelas alturas, o Milan tinha um meio-campo com Pirlo, Gattuso, Seedorf e Kaka. De luxo, como era unânime. Empate 0-0 na primeira mão, e a 10 minutos do fim 1-1. Ou seja, passava o Lyon. Ancellotti "passa-se" e tira Gattuso e mete um senhor chamado Maldini a fazer companhia a Costacurta e a Nesta. O Milan passa a dominar o jogo mais assertivamente e marca o 2-1 e posteriormente o 3-1 pelos dois avançados do costume - Shevchenko e Inzaghi.

A ver o jogo, à partida, fiquei estupefacto. Não parecia fazer sentido nenhum. A precisar de ganhar o jogo tira o trinco e mete um central. De repente, faz-se luz. O Milan passa a jogar com 3 defesas, Khaladze passa para o meio campo, Kaka fica muito mais solto e os lances de perigo avolumam-se. Os "strikers" do costume não perdoaram e o Milan passou. Ancellotti deu uma lição de táctica a Houllier, então treinador do Lyon. Lyon que contava com Diarra, Malouda, Wiltord, e Govou, com um senhor chamado Abidal a comandar a defesa. Não eram toscos nenhuns, note-se.

Lembrei-me hoje desta substituição quando vejo Lopetegui a fazer as dele. Enquanto a de Ancellotti fazia sentido, estas não eram alterações estratégicas, mas sim as de um homem em desespero de causa. Vejamos, tira Danilo para meter Ruben Neves. Depois tira Corona e mete André Silva e por fim tira Layun e mete Varela.

Comecemos pelo princípio. Tira Danilo e mete Ruben Neves. Era um dos jogadores ideais para entrar. Ruben Neves consegue fazer circular o jogo de um lado ao outro do campo e tem uma boa capacidade de passe. Tira o homem responsável pelos equilíbrios do meio-campo. Poderia, por exemplo, ter tirado Marcano ou Indi, centrais que estavam nitidamente a atrapalhar-se um ao outro, com tamanha falta de trabalho. Seria mais que suficiente ter Danilo e um central, mais um dos laterais a fechar quando necessário.

A seguir tira Corona e mete André Silva. O Porto precisava mesmo de um segundo avançado. Aboubakar sozinho na frente é pouco, e com o tempo a passar, uma "ajudinha" ali na frente era mesmo necessária. Mas tirar Corona? Um dos fantasistas na frente, que poderia ajudar a criar desiquilíbrios? Porque não Herrera (ou André, mas o mexicano era o que estava a fazer uma exibição mais pobrezinha, apesar do golo)?

E por fim tira Layun e mete Varela. No desespero. Nitidamente. Mete mais um homem para a frente de ataque. Em desespero, pode ser. E tira quem? O defesa esquerdo. Parece cópia. Toda a gente tira o defesa-esquerdo. A não ser que Layun seja o marcador dos livres. E dos cantos. E de todas as bolas paradas que possam aparecer perto da área. Ou seja, numa altura em que se vai subir a pressão, e mais faltas e cantos podem surgir, tira-se do campo o principal marcador das bolas paradas.

Ou seja, desde Janeiro o FCP passa de primeiro para terceiro. O último treinador que tinha uma confiança cega que iria ser campeão nem sequer acabou a época. Está mais que desculpado porque tinha um plantel que era uma miséria. Este não. Por vários motivos. O mais marcante é o de não perceber nadinha de futebol.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

JULEN LOPETEGUI

"Lopetegui teve medo e preferiu não perder a ganhar na Luz. Resultou. Não perdeu. Mas não ganhou. Ficou tudo na mesma. E o Benfica será o campeão de 2014/2015. E justamente. Um treinador que prefere não perder a ganhar jamais poderá ser campeão."

Escrevi isto em Maio de 2015, na ressaca do empate do FC Porto na Luz. Hoje, Lopetegui deu mais um exemplo disto. O jogo começou com uma "invenção" incrível do treinador espanhol. A equipa, a precisar de ganhar, joga sem Ponta de Lança, com Layun a extremo esquerdo, e com Indi a defesa esquerdo. Na jornada passada, a precisar de ganhar, volta a inventar.

São inúmeras as invenções que este senhor tem feito. O ano passado custaram um Campeonato e uma Taça. Pelos vistos, o senhor ainda não aprendeu. A Champions não se perdeu hoje, apesar do "onze" inacreditável que escalonou. Perdeu-se há 15 dias, no Dragão (ainda por cima!), contra o Dinamo de Kiev.

"O pior, no meio disto tudo, é mesmo ver que Lopetegui não tinha um plano B. Ou as coisas corriam como previsto, ou então, se fosse preciso mudar, não havia essa capacidade. Foi assim em todos os jogos. Não houve um "passe de mágica", um plano B, uma coisa qualquer que permitisse dar a volta aos jogos menos bons que podem sempre acontecer. Foi assim com o Boavista (Mourinho e Villas Boas tinham ensaiado esquemas para o Porto quando estivesse a jogar com 10), com o Estoril, contra o Sporting para a Taça (e para a liga não levou uma coça por sorte, mesmo com a última oportunidade de Tello) e contra o Benfica em casa."

Um ano depois também esta afirmação continua verdadeira. Só com uma excepção que foi o jogo com o Paços de Ferreira. Continua tudo na mesma. Quando as coisas não correm bem, não há nada de que Lopetegui consiga fazer para mudar as coisas. A conferência de imprensa foi exemplar em confirmar esta afirmação: a perder aos 10 minutos, Lopetegui demorou 45 minutos a mudar qualquer coisa, e mesmo assim não resultou.

Jorge Jesus também tem uma certa tendência para inventar. E isso ainda poderá custar uma Liga Europa ao Sporting. Mas deu uma nova "vida" a João Mário. E "ressuscitou" William. E deu um belo "upgrade" a Slimani. E também tem uma maneira de estar no banco muito activa.
"Lopetegui é outro Jorge Jesus, mas com uma grande diferença. Percebe bem menos de futebol."

A conclusão é só uma. Está mais que na hora de o senhor ir embora.

sábado, 24 de outubro de 2015

E AGORA?

E agora, eu se fosse a Passos, depois de tomar posse e ser chumbado, anunciaria que votaria contra todas as medidas que o Governo propusesse. Mas nunca teria a iniciativa de o chumbar e votaria contra toda e qualquer moção de censura que viesse a ocorrer. Sim, porque eu não acredito que BE e PCP viabilizem este governo por mais que um ano.

Seria então Costa a propor uma moção de confiança que então chumbaria. Amor, com amor se paga.

VENDER A ALMA AO DIABO POR UM PRATO DE LENTILHAS

O resultado das eleições foi nem mais nem menos que uma verdadeira lotaria. Poderia sair de lá tudo aquilo que se quisesse que seria sempre legal e legítimo. Pelo menos na parte da forma.

A tradição portuguesa indica que o partido mais votado foi o que formou governo. Sempre, mesmo que não formasse coligações com ninguém. Foi assim sempre. Com Soares, com Cavaco, com Guterres e até com Sócrates. Mas a tradição não obriga a que seja sempre cumprida. É o que irá acontecer desta vez.

Do mesmo modo, a tradição "manda" que o Presidente da AR seja do partido mais votado. O que já não é o que era. Ferro, o tal que se estava "cagando" para o Segredo de Justiça (isto só por si já traz algumas reticências, mas admitamos que ele considera que foi uma frase infeliz e que já mudou de ideias) e que, na primeira intervenção que fez no Parlamento invocou o nome de Sócrates como um elemento de referência (mas pronto, isso até pode ser por ordem do Chefe do partido).

Todo este filme é possível porque os partidos de esquerda definiram que, desta vez, se iriam aliar ao partido menos à esquerda e iriam viabilizar (pelo menos, porque também o podem integrar) um "governo de esquerda" com o PS. E, fundamentalmente, evitar que Passos liderasse mais um Governo com "políticas de direita". No caso do PS porque já tinha dito que o ressentimento era tão grande que jamais viabilizaria um Governo da coligação. 

Deste modo, temos o filme mais ou menos completo. Apesar de a coligação ter mais votos que o PS, não tem mais votos que os partidos todos de esquerda. E apesar de o PSD ter mais deputados que o PS, será o PS a liderar um Governo. Governo esse que será, então, apoiado pelos partidos da esquerda radical.

Até aqui é tudo legítimo. Se isso é possível, então aplique-se. Só que temos aqui um pequeno problema de honestidade intelectual (o que para mim é muito grave) que é preciso resolver. 

Catarina Martins fez toda a sua política defendendo ideias como a saída da Zona Euro e da NATO, além de ser terminantemente contra o chamado "Tratado Orçamental" que defende o rigor (a que se chamou "austeridade" - que é uma palavra que vem do alemão que traduzido à letra significa, nem mais nem menos, "rigor") orçamental e que apoiou entusiasticamente Tsipras em Janeiro e criticou o seu "flique-flaque" face ao novo programa de austeridade que teve que assinar. A honestidade leva a que se diga que foi ela a única a propôr um "governo de esquerda", em que o PS teria que abdicar das suas bandeiras: TSU, Pensões e Regime Conciliatório. Vemos que o programa do PS estava tão bem desenhado que foi possível abdicar disto tudo sem qualquer problema.

Jerónimo de Sousa fez toda a sua campanha contra o PS (dizendo que era farinha do mesmo saco que o PSD e o CDS) e está há um punhado de anos a defender a saída de Portugal do Euro e da União Europeia (foi visceralmente contra a adesão) e da NATO (deve ser para integrar as forças do Pacto de Varsóvia). E jamais admitiria entrar no Governo. A honestidade intelectual manda afirmar que foi este "flique-flaque" que permitiu toda esta festa. Após a campanha eleitoral, o PCP defendeu que a Europa deveria criar apoios para os países que quisessem sair do Euro.

Acontece que Costa disse que não queria sair do Euro, nem queria sair da NATO, nem queria sair da UE, nem queria que as contas orçamentais derrapassem acima dos 3% do PIB. Então temos aqui um problema. Vai haver alguém que vai mentir. Espero que sejam Catarina e Jerónimo. Mas esta mentira tem ainda perna mais curta que as de Passos em 2011, Sócrates em 2005 e Barroso em 2002, já que todos foram confrontados com estatísticas oficiais de que o país estava pior do que disseram que estava, e foi assim que justificaram as mudanças de planos. Em causa estava a permanência na Zona Euro e na UE, que todos eles defendiam.  

Desta vez, uniram-se e não se importaram de abdicar de tudo aquilo que defenderam para evitar que governasse um "governo de direita" em Portugal. Se tudo correr como previsto vão consegui-lo. Depois, só Deus sabe como correrá.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

DESCONSTRUIR MITOS

Estava a ouvir uma repetição do "Prolongamento", programa da TVI24 onde se discute o sexo dos anjos relativamente ao futebol, e lembrei-me que uma grande parte do mito Pep Guardiola começa quando o Barcelona ganha todas as competições onde está inserido na primeira época. Ganha tudo: Campeonato, Taça e Champions. Ganha a Champions, numa final contra o Manchester United. Contudo, as meias finais foram as mais polémicas de sempre, em que o Chelsea, de Hiddink, foi literalmente espoliado de quatro penalties. Sim, houve quatro lances para grande penalidade, que fariam uma final Man Utd - Chelsea, e se calhar as coisas seriam diferentes. Lembro-me de outras meias finais, entre Real Madrid e Barcelona, onde mais uma vez o Barcelona de Guardiola foi tendencialmente beneficiado. Mas, demos estas últimas de barato, e concentremo-nos no essencial: foi com uma roubalheira de todo o tamanho de um senhor chamado Tom Ovrebo (o árbitro dessa meia final) que começou o início de um mito - o Barcelona ganhou, no ano seguinte, a Supertaça Europeia e o Campeonato do Mundo de Clubes, relativos a essa Champions ganha "indevidamente". Tivesse Mourinho a mesma sorte, e se calhar, hoje tinha muito mais troféus que os muitos que já tem.

Hoje saiu uma "grande sondagem" da Universidade Católica para a RTP, que dá uma maioria relativa à PàF. O grande derrotado será, assim, António Costa, líder do PS. António Costa era considerado pela "inteligência publicante" como o melhor candidato do PS e chegou a líder do PS após um "golpe de estado" interno, onde apeou o anterior líder, António José Seguro, que era criticado por toda a "gente" porque não era o líder indicado para o efeito. Costa, diziam, era o líder que iria catapultar o PS para a maioria absoluta e Seguro era o líder das vitórias por "poucochinho". Ora, vamos vendo que afinal Costa não era o tal "Messias" da esquerda e afinal o PS é capaz de ganhar apenas na secretaria. Costa, era o número 2 de Sócrates (de quem só se demarcou em desespero no fim de campanha) e foi Presidente da CML onde teve que fazer acordos à força com a oposição e baixou a dívida. Ora, teve que fazer acordos com a oposição, porque esta tinha a maioria na Assembleia Municipal (e se não negociasse, as suas medidas não passavam) e baixou a dívida, porque o Governo assumiu cerca de 40% da dívida da Câmara, o que lhe permitiu baixar a dívida e a correspondente conta dos juros. Tivesse isto tudo sido escrutinado, como foi o programa eleitoral que apresentou e que o deixou embasbacado e mal disposto (ver a entrevista que deu à RTP), e se calhar já há muito que se tinha descoberto que o mito tinha pés de barro. E de fraca qualidade.

São dois exemplos da construção de mitos. Um como um político muito bom e outro como um treinador excepcional. Para mim, nem um nem outro são aquilo que se lhes apelida. São bons, mas não passam disso.