quarta-feira, 22 de julho de 2015

HONESTIDADE INTELECTUAL

Posso concordar mais ou menos com as opiniões das pessoas. Elas têm é que ser bem fundamentadas. E nesse aspecto, os nossos políticos (quem mais?) deixam muito a desejar.

Passos Coelho diz "que se lixem as eleições". Mas lá no fundo, é bem ao contrário. "As reformas estão feitas", menos a reforma mais importante, a do Estado. A redução do défice é pela receita e  não pela despesa (a reforma do Estado ficou para quem, mesmo?) e poderia continuar.

António Costa diz que enquanto foi autarca reduziu a dívida da Câmara de Lisboa (pois, sim, poderia era dizer que foi graças a um diferendo em tribunal que se arrastava há uma série de anos e foi isso que lhe permitiu baixar a dívida, senão ela continuava a subir), diz que este Governo cortou no Estado para baixar a dívida, mas a dívida subiu (poderia dizer que eram precisos super-avits primários para baixar a dívida e que eles não existiram - mas isso queimava o PS de 2011) e poderia na mesma continuar.

Com tanto desonesto intelectual, com que coragem hei-de eu ir votar?

terça-feira, 2 de junho de 2015

O INJUSTIÇADO

Marco Silva merece, na minha opinião, o prémio de "Injustiçado do Ano".

Ao contrário daquilo que todos fazem crer, o plantel do Sporting era, dos três candidatos ao título, o mais fraco. Não adianta ter 11 bons jogadores (que nem isso tinha), precisava de ter jogadores que pudessem suprimir momentos menos bons dos "titulares" e também nem isso tinha (com excepção de, por vezes, Carlos Mané).

Comecemos pelo princípio. Patrício é um bom GR, mas treme como varas verdes em momentos mais difíceis, desde que não meta penalties, que essa é a sua especialidade. Mas Cedric, Miguel Lopes e Paulo Oliveira servem para o Campeonato Nacional, e pouco mais. Maurício foi muito bem vendido à Lazio, e Tobias tem muito que crescer. Sobra Ewerton. Jonathan e Jefferson são dois bons defesas esquerdos e, caso um deles saia, o outro ocupará o seu lugar sem prejuízo da equipa.

William é um bom jogador. Seria muito bom no 4x3x3 de Lopetegui. No 4x2x3x1 de Marco Silva precisa de fazer outras coisas que ainda não consegue fazer. Mas com tempo aprende. Adrien é bom para o campeonato português. João Mário idem. André Martins nem pensar. Sobra? Rosell e Slavchev só mesmo para fazer número. Os miúdos da B precisavam de ganhar ritmo.

Carrillo e Nani são os titulares indiscutíveis. Capel já não faz a diferença. Sobra Mané. Que conseguiu algumas vezes fazer qualquer coisa de novo. Mas não muito. É jovem, mas tem que começar a dar corda aos sapatos.

Slimani e Montero são bons jogadores. Como o Sporting deste ano joga de maneira diferente do do ano passado, Slimani este ano encaixou que nem uma luva. O ano passado era Montero. Tanaka é mesmo para encher. E ainda assim marcou uns golos importantes.

Ou seja, nem de perto nem de longe poderiam competir com o Benfica de Jesus (com toda aquele tempo seguido de trabalho) nem de Lopetegui (com a qualidade individual dos jogadores). Ora, Marco Silva teve de potenciar tudo aquilo que tinha e ao máximo.

Para mim, a grande diferença face ao ano anterior é que Jardim, com todas as suas qualidades e defeitos, fez 30 jogos no campeonato, mais 2 jogos na Taça de Portugal e mais 6 (no máximo) na Taça da Liga. Não teve Champions, nem Liga Europa. Marco Silva fez 34 jogos no campeonato, mais 6 jogos (máximo) na Taça da Liga, mais os jogos todos da Taça de Portugal (penso que são 8) e mais 6 jogos na Champions e 2 jogos na Liga Europa. São, assim, 38 jogos em 2013/2014 contra 54 jogos em 2014/2015. São muito mais jogos, menos tempo de descanso e muito menos tempo de preparação. E isso faz toda a diferença.

Por isso, Marco Silva não merecia que um presidente ansioso por protagonismo lhe fosse tirando o tapete várias vezes. E não merecia que uma imprensa sedenta de especulações quisesse que ele dissesse algo que não disse, e muitas vezes não queria sequer insinuar. Neste momento, fala-se (como é possível?) se continua ou não no Sporting. Eu, se fosse presidente do Porto, caso ele saísse, no mesmo dia era treinador do Porto. É demasiado bom treinador e demasiado correcto para ser deixado por aí ou ser tratado de forma indecente.

A final da Taça do passado domingo (tal como o jogo com o Schalke 04, ou os jogos de Alvalade com Benfica e Porto onde encostou os adversários às cordas e só não ganhou por manifesta infelicidade) que ganhou e ganhou muito bem, mesmo jogando 75 minutos em inferioridade numérica, e mostrou que do banco e no balneário também se pode mexer com o jogo (ao contrário do que fez Lopetegui o ano todo no Dragão), é a última mostra da qualidade e da competência de um treinador cuja postura ao longo de todo o ano, mesmo perante todas as adversidades, internas e externas, não posso deixar de admirar.

Para mim, se tivesse que escolher o treinador do ano, seria Marco Silva. E explico porque não seria nem Jorge Jesus nem Rui Vitória. O primeiro, porque o Benfica não convenceu e essencialmente ganhou o campeonato aproveitando os deslizes dos outros (o ano passado tinha sido de forma categorica), e o segundo, porque pode desenvolver o seu trabalho sem a pressão de um grande. Marco Silva fez o seu trabalho com muito menos que os outros e conseguiu mais que um deles. E isso é de se tirar o chapéu.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

JORGE JESUS

Dou inúmeras vezes o exemplo de Alex Ferguson como alguém que esteve 3 anos para ganhar o primeiro troféu no Manchester United para justificar que um treinador deve ter a maior estabilidade para trabalhar e que os resultados consistentes não aparecem de repente.

Jorge Jesus é o segundo exemplo de que me socorro. Depois da temporada brilhante de 2014, voltou a cumprir o maior objectivo do clube uma época depois. Não adianta mencionar as complexidades de calendário ou as atenuantes das lesões. Ele ganhou. O clube dele ganhou. Os outros não.

Então, para começar, os meus parabéns a Jorge Jesus e ao Benfica, para mal dos meus pecados.

Este campeonato é o exemplo mais crasso de um clube que preferiu a estabilidade a uma mudança contínua na forma de pensar o futebol. Nesse aspecto, Vieira tomou uma decisão de líder, quando há dois anos preferiu manter Jesus em vez de seguir a opinião dos adeptos e demiti-lo. E com isso teve ganhos. No ano subsequente ganhou tudo em Portugal, com um dos melhores plantéis que o Benfica teve na sua história recente. E este ano teve que refazer tudo de novo. Saiu o GR titular, o DC, DE, MC, ED, e um dos PLC. Isto, assim de memória. E nesse aspecto, o facto de ter uma estrutura estável permitiu contratar os jogadores adequados para os substituir. E foi aqui que o Benfica ganhou. Não teve que andar a fazer experiências. Decidiu que queria os jogadores com determinadas características pretendidas pelo seu treinador, viu o mercado, comprou os que podia, e a máquina, depois da habituação, voltou a carburar. Não como dantes, porque os jogadores eram diferentes, mas voltou a carburar.

Depois há que tirar o chapéu a Jesus. Com menos qualidade conseguiu fazer um belíssimo campeonato. Nenhuma das alternativas era melhor do que os que sairam (daí a máquina não ter carburado como dantes) mas conseguiu à mesma uma equipa capaz de dominar os jogos contra 80% das equipas e de controlar com as restantes. Foi mais que suficiente. Depois não há campeões sem sorte. Os dois golos no Dragão e o empate de Alvalade deram o empurrão para que o Benfica fosse o campeão nacional de 2015.

Não vou falar dos árbitros. Poderia, mas não falo. Porque o principal adversário não teve um treinador à altura dos acontecimentos e perdeu pontos impensáveis. Quando devia ter jogado para ganhar, preferiu jogar para não perder. E quem joga assim jamais pode querer ser campeão.

Agora venha 2015/16. De preferência com uma estrutura no Porto que perceba o que falhou e que não cometa os mesmos erros. Quando ao Benfica, acho que Jesus merece todo o esforço que se faça para que fique no Benfica. Pelo menos para os Benfiquistas. Se não ficar, o Benfica parte sem uma grande parte do avanço que teve este ano. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A TAP

É porventura o último exemplo da forma como fomos desgovernados nos últimos 40 anos.

As notícias que todos os dias saem demonstram que tudo valia para que uma velha guarda se mantivesse no poleiro custasse o que custasse, e a TAP, como a EDP, o BCP e mais uma série de entidades por todos conhecidas, apanham por tabela. Tudo, sempre, a bem de Portugal e dos portugueses, e claro!, do bolso de uma meia-dúzia de indivíduos que fazem disto vida.

A TAP era uma sociedade anónima de capitais públicos. O que, diga-se, não seria o mesmo que uma empresa pública na data da sua criação. No vórtice nacionalizante de 1975 ficou, como quase tudo o resto, pública. A partir daí foi um fartote de prejuízos e de negociatas para a camaradagem, qualquer que ela fosse, desde que coincidente com quem estava no poleiro.

O último "hit" foi a construção de um Novo Aeroporto. Onde? Espera aí, primeiro temos de comprar os terrenos, baratos, para depois os vender. E o actual, nós fazemos aí umas construções e fazemos umas comissões por trás e a coisa trata-se. Tudo, a bem de Portugal e dos portugueses.

Mas depois veio a crise e afinal a Portela que estava para rebentar afinal não rebentou, nem rebentará. E os aviões que se previam necessários para esse "pique" afinal não são precisos, mas compram-se na mesma. E depois o BES foi à falência (sempre o banco do regime a patrocinar todas estas coisas). E a TAP a continuar a dar prejuizos. E o TGV (ou outra coisa qualquer, que seja em carris) a ficar para outras núpcias para salvar a TAP.

Entretanto, para manter a malta satisfeita, promete-se uma coisa incumprível aos trabalhadores. Quando a TAP mudar de dono, vocês ficam com 20% da empresa. Depois logo se vê. E os trabalhadores dizem que defendem a empresa se forem de greve e fazem uma greve de 10 dias. E pronto, temos um caldinho perfeito.

Pronto. Agora temos uma solução. Fechem a TAP. Liquidem o património e paguem das dívidas. O que faltar, mais uma vez, é da responsabilidade cá do "Zé". Paciência. Mas assim nunca mais temos problemas. Ah!, sim!, e o mais importante continua por fazer: correr com esta cambada de políticos do poleiro. Laranjas, Rosas, Azuis e Vermelhos. Mas isso fica para outro post, um dia destes

JULEN LOPETEGUI

Poderia começar pelo que aqui escrevi há uns meses, quando falei do que poderia ser o FC Porto para 2015. Mais uma vez, infelizmente, confirmou-se o que previa.

Lopetegui tinha tudo para ser, das duas uma, ou uma aposta de sucesso ou um "barrete" dos antigos de Pinto da Costa. Ao contrário de Paulo Fonseca e mesmo Vitor Pereira, não se pode, de forma nenhuma, queixar do plantel que o clube lhe pôs à disposição. Com bom jogadores em todas as posições e alternativas minimamente decentes para o caso de elas falharem.

Helton (Fabiano); Danilo (Opare - porque é que foi emprestado?); Alex Sandro (Angel - não me parece mau jogador, mas precisava de ter jogado mais); Maicon, Marcano, Martins Indi e Reyes (só Reyes é que não é "bom" mas penso que precisa de ser emprestado a um Guimarães para crescer), Casemiro (se calhar aqui Ruben Neves parece ser a que menos convence, mas eu acho que o miudo é muito bom e deveria ter jogado mais), Oliver, Herrera, Quintero (com um ocaso incrível quando estava a jogar bem), Brahimi, Tello (bom jogador, mas inconsequente, penso que precisa de crescer muito mais, mas para o ano será um jogador interessante para o plantel), Quaresma, Jackson (com Aboubakar, finalmente uma alternativa, que mal jogou), enfim, um plantel que servia e mais que chegava para fazer uma época decente.

Tal como digo em relação aos maestros das bandas, se eles não sabem onde se vêm meter, então, por melhores que sejam, não vão ser bons e suficientemente competentes a fazer o trabalho a que se propõem. Porque não é aquilo que era suposto fazerem, e porque aquilo que se propuseram fazer não se encaixa no ambiente onde estão inseridos. Lopetegui foi o caso mais exemplificativo daquilo que digo.

A rotação de plantel que Lopetegui criou foi no mínimo um disparate pegado. Com todas as suas consequências. Empata em casa com o Boavista, perde em casa com o Sporting para a Taça (a segunda mais importante competição nacional vai pelo cano assim, com um disparate de equipa!), empata no Estoril (onde volta a rodar metade da equipa e aposta em Adrian Lopez como 2º avançado), e só assim se perdem os pontos suficientes para o Porto, mesmo perdendo em casa com o Benfica (já nem falo nisso, Adriaanse também perdeu os dois jogos com o Benfica e foi campeão na mesma...), estar à frente.

O pior, no meio disto tudo, é mesmo ver que Lopetegui não tinha um plano B. Ou as coisas corriam como previsto, ou então, se fosse preciso mudar, não havia essa capacidade. Foi assim em todos os jogos. Não houve um "passe de mágica", um plano B, uma coisa qualquer que permitisse dar a volta aos jogos menos bons que podem sempre acontecer. Foi assim com o Boavista (Mourinho e Villas Boas tinham ensaiado esquemas para o Porto quando estivesse a jogar com 10), com o Estoril, contra o Sporting para a Taça (e para a liga não levou uma coça por sorte, mesmo com a última oportunidade de Tello) e contra o Benfica em casa.

O cúmulo foi o jogo no Estádio da Luz. Nesse aspecto tenho de tirar o chapéu a alguém que critiquei muito aqui, Vitor Pereira. Nos jogos com o Benfica o Porto não facilitava e anulava o Benfica e jogava de igual para igual os jogos na Luz. No Domingo passado vimos um FC Porto a jogar para não perder na Luz. Lopetegui teve medo e preferiu não perder a ganhar na Luz. Resultou. Não perdeu. Mas não ganhou. Ficou tudo na mesma. E o Benfica será o campeão de 2014/2015. E justamente. Um treinador que prefere não perder a ganhar jamais poderá ser campeão.


quinta-feira, 5 de março de 2015

FESTIVAL DA CANÇÃO 2015

Acabou a 2a semifinal deste ano do Festival da Canção de 2015. Mais uma vez não temos uma canção "festivaleira", no sentido de ser uma canção típica das que costumam ganhar o Festival da Eurovisão da Canção.

Não acho que seja um mau sinal. É apenas uma questão de tradição. Dificilmente nos adaptamos a uma coisa que seja totalmente externa àquilo que mais gostamos. Mas podíamos lembrar-nos, por exemplo, dos ABBA, que em vez de cantar em sueco cantaram em Inglês e ganharam o Festival e depois foi o que se sabe.

De todo o modo não foi mau. Houve anos bem piores. Desta vez posso dizer que tenho uma música da que gostei logo que ouvi, "Outra vez Primavera", e outra que gostei bastante, mas com a qual não simpatizei logo à primeira, "Um Fado em Viena". Para mim, o Festival deverá decidir-se entre estas duas.

Existe ainda mais outra que me cativou. Não pela música, mas pela intérprete. Simone de Oliveira mostrou que quem sabe não esquece e fez uma performance ao nível que conseguiu, com uma música desenhada especificamente (e muito bem desenhada, diga-se) para a sua reduzida amplitude vocal. Não esquecer que esta senhora teve um problema gravíssimo na garganta que lhe reduziu muito as suas capacidades neste âmbito.

Depois temos as outras. Dessas, algumas são compostas por alguns cantores. Como compositores foram coerentes com o tipo de músicas que cantam. Acho que faz sentido. E as outras são de compositores que não conhecia e que, pelo que ouvi, acho que passo bem sem conhecer.

E pronto. Sábado é a Final. Não estou à espera de nada de especial. Além do mais tenho ensaio e tenho que ir. Quando chegar já sei os resultados.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

NO PRINCÍPIO...

No princípio foram as contas. Sempre as contas. Os ideólogos que diziam que o dinheiro aparece sempre tiveram a maior surpresa das suas vidas, quando o vil metal que ajuda a fazer girar o mundo deixou de ser tão barato como costumava ser e se tornou escasso. Tão escasso que ninguém queria emprestar.

Depois de casa arrombada, trancas à porta, já diz o povo. Foi necessário então tratar de arranjar maneira de o dinheiro vir na mesma. Então veio uma tríade, ou troika, ou triunvirato, que o povo é sempre bom a arranjar nomes, que tratou de arranjar o dinheiro, face a uma série de condições que, de 3 em 3 meses eram avaliadas. E depois da nota mínima alcançada, a recompensa, o dinheirinho, fresquinho.

A propósito, penso que os militares poderão reconhecer esta história: o meu pai recebeu o salário dele com cerca de 4 dias de atraso, por alturas pré-troika. Nos dias imediatamente anteriores o Governo tinha feito a última incursão nos mercados e pedido emprestado dinheiro a taxas exorbitantes. Serviram para isso. Imagino os militares com responsabilidades na banca ou a necessitar mesmo desse dinheiro. Devem ter tremido muito nesses dias.

Já todos conhecemos a história. Relembremos então os pormenores. No princípio, o défice era de 4,6% e nem mais um euro. Depois, com o memorando eram 5,9% e não se falava mais nisso. E, em junho, já eram 7,7%. Pois. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Estamos a falar de mais metade face ao previsto inicialmente e mais um terço face àquilo que se previu em Maio. Então faça-se um corte nos salários dos funcionários públicos.

Alto que o Tribunal Constitucional não deixa! Pudera, também foi atingido. Então aumentem-se os impostos e faça-se uma sobretaxa no IRS. Pronto. E vamos aumentando o combate à fraude. Aumentam-se os impostos, cortam-se salários, aperta-se mais (e talvez a mais) a economia. Porquê? Já todos se esqueceram? As contas dos outros foram mal feitas!!! E são eles (os mesmos, as mesmas caras!) que querem vir para o poleiro outra vez.

E depois toca a baixar o défice. E os juros da dívida. E abençoada ajuda estrangeira. Aqui Seguro tinha razão e Passos fez mal em tê-lo deixado descolar. Poderia perfeitamente ter mandado Portas às malvas e apoiado Seguro. Teríamos governo para muitos e bons anos. Primeiro com uns e depois com outros. Uma das razões pelas quais eu gostava de Seguro é que foi capaz de antever o que se iria passar na Europa. Mais tempo (óbvio, claro!) com um pouco mais de auxílio do BCE. Só não acertou na mutualização da dívida (que vai ter de arrancar) e na colagem excessiva a Hollande. Mas falhou quando não encostou os Socratistas a uma parede. Foi o seu ponto fraco, o passado.

E depois tivemos a maior roda de independentes em ministérios. Rezam as crónicas que todos fizeram bons trabalhos. E todos prestam provas no estrangeiro e são reconhecidos. Santos Pereira na OCDE e Vitor Gaspar (primo de Louçã, ironicamente!) no FMI. Em Portugal não percebiam nada do assunto. Saiba-se lá porquê. A propósito, era bom ler o livro de Santos Pereira. Explica-se muita coisa.

E é por isso que cada vez que vejo Costa e os seus apaniguados a falar me lembro de um passado que não quero, de todo, voltar a repetir.