Saiu aqui há dias um estudo da OCDE (sim, este é mesmo da OCDE, ao contrário do outro) que diz que Portugal já está na média europeia no domínio da língua materna, da matemática e das ciências. Diz Sócrates que este é o resultado das políticas do Governo (que, para quem for mais atento, não tiveram influência nenhuma) e do trabalho dos professores (tão maltratados até há bem pouco tempo).
Contudo, olho para esta geração que está agora na escola primária, através de dois prismas: o meu, enquanto catequista, e o da minha mãe enquanto professora primária que me vai contando alguma coisa. E não deixo de me espantar com algumas coisas. A primeira é que muitos deles já têm telemóvel. O que, pelas minhas alturas, era um luxo, e nós nem sabíamos bem o que fazer com aquilo. Outra é que os catraios têm sempre razão, na opinião dos pais, e que se os filhos se portam mal é porque os professores são maus, nunca por serem mal educados (pudera!), mas não podem dar um safanão aos filhos, porque têm pais que os educam. Os professores que o fazem vêm a sua vida andar para trás, podendo os pais fazer queixa por qualquer motivo, muitas vezes infundado. Não que eu seja defensor da violência, característica dos professores do Estado Novo, mas assim não é possível trabalhar.
Tudo isto porque Sócrates vem rebater euforicamente (pudera, é a única coisa boa a que se pode agarrar) as críticas de facilitismo que as suas medidas provocaram. Segundo consta, a escolha aleatória dos alunos residiu na opção pelos quatro melhores alunos de cada turma, e um aluno mediano. Extrema pontaria! O facilitismo assim não existe. Eu não fiz os exames e não os comparei com os anteriores! Ora aqui está mais um atestado de ignorância aos alunos portugueses!
Mas o que mais me choca são os relatos que a minha mãe (que não a tenho por mentirosa, bem pelo contrário) me vai contando. Desde uma aluna que conseguiu ir "em coma" (a sério...) para casa porque a professora lhe tinha dado uma coça (um safanão...) e estava cheia de nódoas negras ("em coma"...), claro está que a mãe é beneficiária do RSI e passa o dia no café a fumar o seu cigarrinho e a andar de carro para baixo e para cima, até a alunos que levam telemóveis para as aulas, contendo estes telemóveis "inocente" material pornográfico.
Ora, chega a roçar o ridículo que estas coisas aconteçam. Mas se formos a analisar bem, parece que afinal já não é assim tão ridículo. Desde pais que se metem na droga ou no álcool, até pais que se lembram de dar à sola, deixando os filhos ao encargo dos avós, mostra a irresponsabilidade dos pais mais jovens que se foram formando, originários, todos eles, da libertingem do pós 25 de Abril.
E falava sobre isto com uma prima minha, da geração dos pais pré 25/04, que dizia que iria haver um choque entre culturas, a do pré e a do pós-25/04. Dizia-me ela que poderia dar-se o caso de a má cultura expulsar a boa cultura (como no caso das moedas de Cavaco, da qual não contesto o conteúdo, apenas o tempo e a oportunidade...) e os filhos e netos dos "pré 25/04" se tornarem libertinos e não os outros se tornarem mais certinhos.
É claro que há excepções. Sempre houve e sempre há-de haver. Mas estão a ser cada vez mais raras. E pior do que isso, eles vão ser o futuro de Portugal. E vou-me lembrando dos cómicos mails que vou recebendo, em que os, fracos, alunos reinvidicam que seja o Estado (ironia das ironias, cada vez mais pobre...) a tomar conta do seu futuro. A não ser que a vida dê muitas voltas, mas cada vez mais acredito que, se nós vamos passar mal, eles vão passar muito pior.
E depois disto tudo, pergunto se faz sentido apostar em novos programas digitais (anunciados por Sócrates, hoje no debate quinzenal na AR) ou antes disso, apostar na formação moral dos alunos e, principalmente, dos pais? Como diz o povo "casa de pais, escola de filhos"...
Mas além disto, pergunto qual é o papel do professor no meio disto tudo. Principalmente nos mono-docentes. Só quem não conhece é que não sabe o quão desgastante é esta profissão. E não me venham dizer que é uma boa-vida, que não é, pelo menos para quem é competente. A autoridade de um professor é constantemente posta em causa. E em boa parte dos casos pelos próprios pais (mais uma vez, "casa de pais, escola de filhos"...). Não se pode então exigir ao filho que respeite o professor (no meu tempo dizia-se "se o professor te bate, levas mais por cima!").
Deposi disto, lanço mais uma acha para a fogueira. Os alunos mais bem preparados são aqueles que surgem do ensino privado, tão combatido pela esquerda. O que será bem copiar? Ainda para mais parece que querem acabar com os contratos de associação entre escolas privadas pelo estado...
Após isto tudo, chego à conclusão de que isto ainda tem muita volta para dar. A educação ainda precisa de uma terapia de choque, não de conteúdos, mas de valores...
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