Ontem foi um dia importante para o país. Para o bem ou para o mal, foi um dia mito importante. Quanto mais não seja porque foi um dia em que se mudou o primeiro-ministro.
Como 60% dos portugueses, fui votar. Porque considero que é um dever de cada pessoa ir votar. Ir dizer aquilo que quer para o futuro da nossa pátria. E posso começar por aqui. A abstenção é um dos problemas da nossa democracia. E considero, por isso, para se combater este comodismo situacionista, de que tanto faz ir votar ou não, que considero que o voto deve ser obrigatório e, que quem não vote, deva sofrer pesadas multas por isso. Pode parecer um disparate, mas daqui a 20 anos nunca mais teriamos este tipo de problemas, uma vez que já se teria instalado a cultura de voto na sociedade portuguesa.
Contudo isto implica outra coisa. A comunicação social referia que 9,5 milhões de portugueses iriam às urnas hoje. Ora, nós somos 10 milhões. Assim, sobram 500 mil pessoas com menos de 18 anos e, desse modo, sem condições de ir votar. Alguém acredita nisto? Deste modo, o voto ser obrigatório obriga a que os cadernos eleitorais sejam sistematicamente actualizados, de ano a ano pelo menos. Assim, evitam-se problemas com os eleitores e a abstenção fantasma.
Fui votar. Estive que estar cinco minutos à espera. Cheguei à mesa de voto 5 minutos antes da hora. Uma questão de picuinhice ("a lei diz que é as 8h que abrem as mesas de voto, e só abrimos às 8h!") fez com que eu chegasse atrasado ao serviço da banda, coisa que eu manifestamente não aprecio! Outra coisa que é necessário mudar, na minha opinião. Estava tudo pronto. Delegados "in su sitio", apetrechos todos montados, mas a lei só manda abrir às 8h. É necessário incentivar uma interpretação menos à letra da lei. Não havia, no meu entender, necessidade disto!
Estive no serviço da banda. De tarde jogariam Federer e Nadal. Para mim, os melhores tenistas destes tempos (Djokovic é apenas algo mais mediático, por ser um emblema da Sérvia - país da belíssima Ana Ivanovic - mas que não considero que seja tão bom como os outros dois, pois beneficia do declínio normal de Federer, com 30 anos e da menor capacidade física de Nadal) e dos melhores de sempre. Prometia ser um jogaço, que infelizmente não pude ver. Consta que Federer foi vítima mais uma vez do "bloqueio" que sofre cada vez que defornta Nadal, pois a ganhar no primeiro set por 5-2, não conseguiu fechar.
Por fim, vim para casa. Lar, doce lar, ao fim de mais de 180 km de viagem naquele dia. Pelo caminho soube da vitória de Passos Coelho, como confirmavam as sondagens, mas longe do empate técnico (como justificar os mais de 10% de diferença?, como é possível um erro assim?) e da demissão de Sócrates (corajosa a jornalista que lhe perguntou sobre os processos e a possibilidade de as coisas poderem dar para o torto para o lado do ex-PM...), da vitória de Jerónimo e da continuidade de Louçã (apesar da derrota...discutível opção, na minha opinião...). Já em casa ouvi o discurso de Portas (que me pareceu desiludido com o muito que as eleições lhe deram...) e de Passos, o novo primeiro ministro, que no fim, cantou o hino nacional. Um apelo patriótico numa altura dificil como a que vivemos.
E, depois de um dia muito longo, fui dormir. Depois de ouvir ainda a gaffe de Marcelo, que chamou Gomes a Bernardino Soares, o previsível líder da bancada parlamentar do PCP.
PS1) Sócrates deveria ser um case-study, até da maneira como fez o discurso final, onde não admitiu muitos dos seus erros, apenas alguns, e vangloriou-se de ter agido, o que sabemos nem sempre ser a coisa certa, pois mais vale estar quieto em vez de se fazerem disparates...
PS2) O BE é mais um case-study, desta vez como um novo partido não deve agir, pois corre o risco de se tornar num novo PRD...
PS3) A minha banda está a tocar bem, outra vez, como já o tinha feito no ano passado...
PS4) Parece que vamos ter um indivíduo no parlamento que já esteve no Big Brother, uma das consequências dos tempos de Sócrates no PS...
PS5) Já se começam a afiar as facas dentro do PS (Assis, Seguro e Costa - embora este mais discreto e empurrado por António Vitorino)... Agora que partido será o "saco de gatos" (dixit... António Vitorino...) nos próximos tempos?
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