sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

Os últimos dias têm sido marcados pela comissão de inquérito sobre a derrocada do GES, a prisão de José Sócrates e a privatização da TAP. Quanto aos primeiros dois temas quero deixar o tempo rolar, de modo a que se possa compreender melhor a responsabilidade dos envolvidos. Quanto à TAP, penso que posso dar desde já a minha opinião.

Comecemos pelo princípio. A TAP quando nasceu não era uma empresa pública. Era uma empresa com capitais públicos. Foi fundada em 1945, por Humberto Delgado. Ela foi nacionalizada naquele corropio devaneista que assolou Portugal após o golpe militar que pôs fim ao "fascismo" (valha-me Deus!). Assim sendo, não era o Governo que governava, apesar de ser o Governo o accionista.

E podiamos ficar aqui a discutir este ponto. A diferença é que seria na mesma governada em função de critérios comerciais e não em função do mero interesse público "per si". Pois bem. Ao que parece, até 1974 nunca tinha havido problema.

Adiante. Agora discute-se a possibilidade de privatização. E o seu valor estratégico. Ouvem-se argumentos do tipo "a TAP é minha" ou "a TAP é tão importante como as caravelas". Ou outros assim. Outros dizem que, com a dificil situação financeira da TAP e com a impossibilidade de capitalização pública (decretada pelas leis europeias) seria ideal a entrada de um investidor privado que assegurasse a capitalização necessaria. Outros dizem que o ideal era só fazer um aumento de capital em bolsa que limitasse a entrada de privados a 49%.

Com tantas opiniões, eu também posso dar a minha. Eu não compreendo porque é que a TAP ainda é pública e porque é que os meus impostos ainda têm que aguentar com ela. No tempo da Ryanair, ou de outra companhia qualquer que pode fazer tanta coisa, ainda não percebi porque é que a TAP ainda é pública. Ainda para mais, porque ainda por cima dá prejuizo. E não pode ser capitalizada por entidades públicas. Aqui há dias, o presidente da TAP veio dizer que teve que fazer um lease-back de quatro aviões. A justificação "oficial" era para dar fôlego à tesouraria. Ou seja, não há dinheiro.

Segundo ponto. As greves. É incrível a quantidade de greves que os funcionários da TAP fazem. E da importância que eles sabem que têm e que usam a seu favor. Pensa-se que o Estado não deixará cair a TAP e, mais prejuizo, menos prejuizo, a coisa lá vai andando.

Em resumo. Por mim, privatize-se. Por mim, é indiferente. Mas de preferência, toda. E o status quo da estupidez portuguesa que vá, de uma vez por todas, abaixo de Braga. Ou a outro sítio qualquer.

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