sábado, 13 de setembro de 2014

NOSSA SENHORA DA PENA

Amanhã terminam as minhas festas relativas à época 13-14. Foram 33. E vou fazer uma das piores festas.

É uma festa que me dá cabo do juízo. Tem tudo, tudo junto, e numa enorme salgalhada. Resultado: nem bandas, nem ranchos, nem carros de choque, nem nada. Vale pela procissão, pequenina, mas com andores que batem o record do mundo.

De resto, de manhã um concertozinho, depois o almoço, e depois outro concertozinho, e depois os ranchos, a procissão, o jantar e outro concertozinho. Todos a rondar a 1h30. Chamam duas bandas para uma festa que se fazia bem com nenhuma. Nos concertos não se ouve nadinha (graças ao sonoro dos carrinhos de choque) e a festa é demasiado movimentada para tão pouco espaço. Por fim, o "conjunto" nem espera que as bandas acabem, e desata a tocar ainda as bandas estão nos coretos.

Enfim, uma valente confusão. Se eu mandasse, nunca mais lá ia. Mas como quem manda é o presidente...

MARINHO E PINTO

Se há pessoas que eu não gosto, é das oportunistas. Principalmente porque não são apenas oportunistas, têm problemas de carácter que eu não aprecio, de maneira nenhuma.

No início do mandato de Passos Coelho, a maior oposição não era de Seguro, mas sim de Portas. Não queria isto, e se fosse avante deitava tudo por terra, e depois, nas coisas boas, lá aparecia na fotografia a dizer: "Eu também cá estou". Mesmo que se soubesse que borrava a pintura toda fora da fotografia. Passos, e bem, chamou-o à pedra e ele teve de engolir os cortes e os impostos e tudo o mais.

Marinho e Pinto fez algo parecido. Poucos o conheciam quando chegou a Bastonário da Ordem dos Advogados. Fez um trabalho que é elogiado e criticado. Eu não digo nada, porque não percebo nada daquilo. Mas o que marcou mais foi o seu discurso, à justiceiro "Robin dos Bosques". E que, quando se candidatou, por um partido que lhe deu a mão (porque senão não podia ir), conquistou uma determinada percentagem de votos que o levou a ele (e a um companheiro de circunstância - não a de Vara) para Bruxelas.

Lá, deu-se conta que aquilo afinal não prestava. Mas continua lá a receber as mordomias que tanto critica. E agora, mais uma ferroada: vai criar um partido novo! Ou seja, de uma assentada, trai tudo aquilo que diz acreditar e respeitar, só porque teve uma determinada percentagem de votos. Que oportunista. O meu desejo é que seja feliz e que lhe aconteça aquilo que por norma acontece aos oportunistas. Mais nada.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PAULO BENTO

Vou ter de ser coerente e dizer que estava errado. Defendi, tal como aconteceu com Hodgson em Inglaterra, que deveria continuar. Apesar de tudo, tinha umas meias finais num campeonato da Europa (e com um grupo de fugir), o que, bem vistas as coisas não é assim tanto um sinal de incompetência.

Mas a incapacidade de renovar a Selecção e pô-la a jogar futebol (sim, que jogar à bola é diferente, e a Selecção até joga aos repelões que era de fugir), tal como aconteceu nos últimos tempos do Sporting, fazem-me acreditar que Bento não é treinador para grandes equipas nem para grandes desafios.

O jogo contra a Albânia, que eu não vi, mas li relatos (que valem o que valem), foi o corolário. Uma equipa que não o foi, que, sem Cristiano, é demasiado vulgar e que não tem ninguém que seja capaz de fazer a diferença.

Pelo que era então expectável que, mais dia, menos dia (eu não esperava tão cedo), Paulo Bento acabasse por sair ou por ser demitido. Foi a solução intermédia: um acordo amigável.

Sucessores? Toda a gente fala em Vitor Pereira (que para mim é um patinho feio, nunca me convenceu, mas que foi bicampeão no FCP), em Manuel José (que só deu provas do que valia no Egipto e no Boavista e, um bocadinho, no Belenenses), ou então em Fernando Santos (que saiu sempre pela porta pequena nos grandes em Portugal, foi campeão no Porto, foi quem mais luta deu ao Porto de Mourinho no Sporting, e o despedimento mais estúpido de Vieira, mas que nunca foi bem amado em nenhum dos três grandes), que fez um trabalho interessante na Grécia, tendo em conta os recursos que tinha à disposição. Dos três, não gosto de nenhum.

Quem escolhia? Não sei. Mas teria que ser alguém de fibra. Alguém que se impusesse pela sua personalidade e que não fosse influenciado por empresários. O problema é que não me lembro de ninguém assim que seja capaz de vir cá fazer qualquer coisa e que seja baratinho...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

COSTA vs SEGURO

Tem sido uma campanha extremamente pobre. Ao contrário de todas as expectativas. A começar pelas minhas. Eu esperava uma campanha a sério. Onde se debatessem ideias e estratégias. A sério.

Mas não. Ou foi um que traiu, ou foi outro que não dava a injecção de confiança. Ou seja, questões que não interessam a ninguém. Ontem, na TVI foram 15 minutos a ajustar contas com o passado e mais 15 minutos a falar de mais não sei bem o quê.

Hoje já foi diferente. Já se debateu qualquer coisa. Quanto mais não seja para dizer que é mais o que os une do que aquilo que os separa. Costa diz, Seguro diz com outro nome. Seguro propõe, Costa propõe com outra capa. Mas, na prática é o mesmo.

Não se debate aquilo que se deveria debater. Finanças. Todos dizem que a dívida subiu por causa deste Governo e que o défice é maior do que o do Memorando. Todos demonstram ignorância no que toca a esta matéria. O défice derrapou porque já tinha derrapado antes de começar e por consequência a dívida também derrapa. Esquecem-se de falar na almofada de segurança que o Goveno foi criando (bem ou mal, isso é outra conversa).

Ou seja, estou curioso para ver o terceiro debate na RTP, daqui uns dias. Mas espero que seja mais elucidativo. Senão terei que votar em Pedro Passos Coelho. Desta vez não por ser o melhor, mas por ser o menos mau. E tenho pena.

BAIXA E ALTA AUTO-ESTIMA

Uma série de conversas que tive com diversas pessoas nos últimos tempos revelaram-me que sofro de um problema chamado baixa auto-estima.

Por norma tendo a valorizar aquilo que faço menos bem e a desvalorizar aquilo que faço bem. Considero que aquilo que faço bem resulta de uma obrigação que tenho (afinal, tenho cérebro para alguma coisa deve ser) de o fazer e, quando não o faço é porque deveria ter feito e não usei todas as minhas capacidades.

Como por norma são mais as coisas que faço bem do que as que faço menos bem, cognitivamente posso também sofrer de um bom problema chamado "alta auto-estima". Pelo menos pensava eu. Afinal, também podia pensar que errar é humano e que as coisas boas que vou fazendo me podem aumentar a auto estima (um bocadinho naquela do: "estás a ver como és capaz? é só fazer!"). Mas eu prefiro pensar pela primeira forma, uma vez que me obriga a ser exigente comigo próprio. Pelo menos a meu ver. Se eu puser a minha fasquia mais alto, mais difícil se torna de os atingir. E se não os atingir, a minha auto-estima baixa.

Onde tenho, definitivamente, um problema de baixa autoestima é na parte da aparência física. É também fruto dos "brindes" de que fui alvo durante toda a infância e início da adolescência (quem me conhece sabe bem do que falo). Tornaram-me muito menos confiante que a maioria dos rapazes da minha idade. E que me tornam muito mais tímido no que toca a relações com o sexo oposto. E que me fazem pensar sempre que nenhuma rapariga, que eu considere interessante (claro!), se irá interessar por mim.

É também por isso que toda a gente me pergunta porque é que eu nunca arranjei uma namorada. É tão difícil de entender assim?

segunda-feira, 28 de abril de 2014

JORGE JESUS

Acabou na prática hoje a época do FC Porto. Uma época para relembrar. A todos os níveis.

Para os portistas, que diziam, como eu dizia, mal de Vitor Pereira, que afinal é sempre melhor o menos mau certo que o bom incerto, porque pode sair asneira, como saiu. E que lutas internas afectam não só os lutadores como toda a estrutura que lhe subjaz. Consta-se que existem correntes internas para a sucessão de Pinto da Costa. Como isso vai ter que acontecer um dia, não convém destruir o clube antes disso. E depois a formação do plantel, deficiente a todos os níveis. Escreverei sobre isso um dia destes.

Para os benfiquistas fica aquilo que eu já escrevi há anos e que basta consultar o histórico deste blog. Para um treinador mostrar trabalho são preciso anos, e casos como o de Villas Boas são anormais e raríssimos. Por isso, no lugar de Vieira teria feito exactamente o mesmo, renovado com Jesus, depois do bom ano que tinha feito (apesar de não ter ganho nada), e dos jogadores que potenciou (Luiz, Coentrão, Ramires, Di Maria, Cardozo, etc). Do mesmo modo que fui contra a dispensa de Jesualdo por Pinto da Costa (apesar de ter corrido bem) que culminou com a contratação de Villas Boas.

O que aconteceu este ano com o Benfica aconteceu, com as devidas adaptações, com o Bayern no ano anterior. É sempre preferível continuar com uma estrutura que promete bons resultados do que mudar à minima contrariedade (como se faz frequentemente em Portugal). Por isso este acto de belíssima gestão de Vieira tem que ser louvado e tem que ser felicitada a equipa do Benfica, na pessoa do seu treinador, por mais uma época de grande nível. Por mais que isso me custe.

Pode ser que o Benfica tenha dado uma lição de gestão ao futebol português e europeu. Afinal, agora que está na moda despedir treinadores porque as coisas não correm imediatamente bem, é bom ver (por mais que doa) que o exemplo contrário é bem sucedido. Os casos de Ferguson no United e de Moyes no Everton (uma equipa do meio da tabela para baixo, que se tornou cliente assídua das competições europeias em 11 anos) e em Portugal de Pedro Martins no Marítimo (com o mesmo treinador em 4 anos conseguiu potenciar muitos jogadores da equipa B e ir às competições europeias com um plantel de tostões) mostram exactamente isso. A questão está em saber terminar a tempo. Mas aos treinadores tem que ser dado tempo e condições para fazerem o seu trabalho. O resto virá com o trabalho.

segunda-feira, 17 de março de 2014

VLADIMIR PUTIN

Gosto de escrever, por norma, depois de deixar a poeira assentar. Neste caso é isso que procuro fazer.

Como este fim de semana mal estive em casa não acompanhei os preparativos para o referendo e apenas soube hoje que tinha ganho o lado pró-Russia, com 93% dos votos. Nesta versão anexadora (do género não vem tudo, mas vem uma parte de cada vez) de Putin, podemos sempre comparar com a de Hitler, que aquando da anexação da Austria, esta foi votada por 97% dos então austríacos, longe de saber ao que iriam.

No que toca à parte estratégica da coisa, Putin está claramente à procura de deter o controlo de um pedaço de mar que existe entre a Rússia e a Ucrânia e deter um acesso priveligiado ao Mar Negro. Esta parte não sei explicar bem porquê. De todo o modo, é uma  questão estratégica, tal como a que presidiu à invasão da Geórgia.

No que toca à Comunidade Internacional, é no mínimo salutar que tudo aquilo que se faça tem como objectivo convencer, sem ofender, o sr. Putin. De facto, a Alemanha depende como de pão para a boca dos gasodutos russos (senão lá se ia a produtividade alemã... do mal o menos, o nosso vem por África... não sei o que será pior). Do lado americano, é de salientar as sanções que se ameaçam e que nunca mais saem do papel.

Não nos podemos esquecer que a América está, em traços muito gerais, falida. E que a Inglaterra, ao fim de alguns anos de políticas expansionistas está a cortar, e bem cortadinho, os gastos que andam a fazer, porque não tem havido muito dinheiro por aqueles lados. É por isso que eu defendo Merkel. Nunca podemos perder o valor do nosso dinheiro. Renegociar dívida, aumentar défices, injectar dinheiro na economia, enfim todas essas coisas têm um único beneficiário: os EUA, cujo dólar perde valor de dia para dia. É também por isso que as nossas yelds estão a baixar.

Putin apenas aproveitou este "buraco" no equilíbrio global e começou por dar um rebuçado à Ucrânia. O então presidente, já contestado, aceitou e o povo fê-lo cair. O novo Governo não conseguiu manter a unidade territorial (faz lembrar o pós-25 de Abril... substituiu-se um mau governo por outro pior...) e a Crimeia, internamente russa, quis sê-lo na prática. E Putin fica todo contente. E, de repente, toda a zona do Mar de Azov já quer pertencer à Federação Russa. Sendo uma zona de equilíbrios sempre frágeis, é bom saber quanto tempo poderá tudo permanecer tranquilo nesta nova ordem mundial.

De todo o modo, a primeira conclusão que se pode tirar é que o homem não é estúpido. Nada estúpido.