Tem jogos que são deprimentes de ver. E tem equipas que são autênticos crimes existirem.
E depois temos equipas que dão luta, tornam os jogos emocionantes e fazem com que uma pessoa não queira descolar da Televisão, ou do rádio, como foi o meu caso ontem.
Sejamos sérios. Equipas como a Académica, ou o Penafiel, por mais respeito que me mereçam, não merecem estar numa Primeira Liga qualquer, quanto mais na nossa. Acho que é deprimente e não incentiva ninguém a ir aos estádios ver equipas a jogar para o pontinho, sem mais nenhum objectivo. É deprimente.
Sejamos sérios. Equipas como o Rio Ave, que discutiu o jogo no Dragão (o resultado é mentiroso) e em Alvalade, equipas como o Guimarães (Rui Vitória é um belíssimo potenciador de jogadores, não é?) e outras, que tentam discutir os jogos em todo o lado são as que interessam ao futebol e são as que fazem os adeptos ir aos estádios. Mesmo os adeptos das equipas mais pequenas.
E agora mais a sério ainda. Sabemos que no nosso campeonato temos metade das equipas a fazer que fazem. Sabemos que a maior parte delas corre o risco de não pagar os salários aos jogadores e mesmo assim temos um campeonato com 18 clubes. Além de não fazer sentido nenhum (como já se viu), é indecente. Porquê? Qual é o nexo disto?
Agora imaginemos um cenário diferente. Um campeonato com Benfica, Porto, Sporting, Guimarães, Braga, Rio Ave, Estoril (que está a subir no campeonato), Marítimo, Paços e Nacional. 10 equipas. São as 10 primeiras do nosso campeonato, mas troquei o Nacional pelo Moreirense. Agora, imaginem esse campeonato a 4 voltas. Duas idas à Luz, aos Barreiros, à Choupana, à Pedreira e a Guimarães. Para não falar em mais duas idas ao Dragão, à Luz e a Alvalade. Assim, um campeonato em que todos os jogos sejam difíceis ou pelo menos que não sejam razoavelmente fáceis. A nossa competitividade seria bem maior e teriamos mais condições para que os jogadores dos nossos clubes evoluissem. 4 voltas, com 10 equipas, são apenas e só 36 jornadas. Ou seja, duas menos que os principais campeonatos europeus e mais duas que o nosso campeonato e mais seis com o nosso campeonato de 16 equipas. Mais Taça de Portugal (com todas as eliminatórias a duas mãos) e Taça da Liga (com um molde de competição similar ao da Taça de Portugal, tal como acontece em Inglaterra, e com as eliminatórias a duas mãos). Logo entre 40 a 50 jogos por ano para cada equipa. Calendário? Teríamos jogos ao Domingo e à Quarta-Feira, e os planteis deveriam ter mais jogadores da formação, uma vez que seria obrigatório (isto numa reforma a sério) adoptar os critérios da Champions para os jogadores formados no Clube. Assim nunca teríamos problemas nesse sentido.
As outras equipas teriam que ir para uma Segunda Liga. Neste caso, poder-se-ia dividir em duas zonas, a Norte e a Sul, com 14 equipas cada. A uma volta. Depois, as 7 melhores equipas de cada série jogariam outra série, a de apuramento dos promovidos, (sobem 2) e as outras 7 jogariam outra série para evitar a despromoção. Neste caso, como no Campeonato Nacional de Seniores temos 8 séries, desceriam 8 das 14 equipas. Este ponto poderá sempre ser a rever. Por exemplo, menos clubes na série de apuramento dos promovidos (com mais jogos a jogar). Do mesmo modo, seria obrigatório cumprir as regras da Champions para os jogadores formados no Clube.
E pronto. Penso que é tudo. Eu não cobro nada por esta ideia. Sei que não será bem amada pelos Presidentes dos Clubes mais pequenos. Vão dizer que é o fim dos clubes. Eu acho que será o início de um futebol mais sustentável e mais competitivo. Iria doer, iria. Mas penso que seria melhor.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
CHARLIE HEBDO
Um pouco mais distante do acontecimento que marcou a semana mundial que ocorreu em Paris, penso conseguir ter uma opinião menos acalorada sobre o que de facto se passou.
É óbvio que este acontecimento não é, de todo, um caso isolado. É um acontecimento que vem na sequência de muitos outros. Todos eles, isoladamente, podem ser vistos como inocentes. Contudo, se todos somados, pode começar a pensar-se numa bola de neve que pode vir a ter proporções algo graves.
É óbvio que o que os atacantes querem é que se sinta medo. E daí atacaram, sem dó, os seus principais críticos. E sem aviso. E no centro do multiculturalismo. França é o centro do multiculturalismo, onde a religião islâmica tem uma presença significativa.
Todos sabemos que a revista em causa era um "bastião" da liberdade de expressão. Criticava tudo o que entendia criticar, de forma mordaz, através de caricaturas, ao abrigo de algo que definiam como "liberdade de expressão". E daí, criticavam tudo. Criticaram, também Maomé. Ora, para os islamitas, Maomé é uma peça sagrada na sua religião, o que faz com que tenham criticado uma personagem que lhes diz muito.
Até aqui nada de novo. Qualquer um poderia dizer que, se se criticasse Jesus Cristo, não seria provável que acontecesse algo de similar. Pois não. Mas estamos a esquecer algo que é importante. O meio onde se insere o Islão. Meio pobre e ditatorial, propício a que apareçam interpretações mais extremistas do Corão, o que pode levar a atitudes extremas, como estas, ao contrário do cristianismo. Por outro lado, nos meios menos extremistas, não existe vontade em combater estes extremismos. Aliás, o mundo depende do equilíbrio que foi sendo feito, no sentido de evitar uma guerra fracticida no Médio Oriente. Deste modo, propagou-se fortemente uma interpretação mais extrema do Corão, que começa a ganhar força à medida que organizações como o "Estado Islâmico" ganham força.
A minha professora de Filosofia, numa das primeiras aulas, disse uma frase que me marcou daí em diante e que me irá marcar na minha vida. "A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro". Ora, os Islamitas poderão sempre argumentar que, se ao abrigo da liberdade de expressão, tiveram a liberdade de criticar algo que lhes é muito querido, eles também poderiam ter a liberdade de atacar esses críticos, ainda que eles tivessem a melhor das intenções.
Por outro lado, convém não esquecermos a História. Em 1436 (que é a correspondência do "nosso" 2015 para a era muçulmana), tínhamos acabado de matar muita gente pela conquista de Ceuta, que aliás, não rendeu assim grande coisa. Estávamos a pensar em progredir Africa abaixo, e a matar muita gente, quer pela fé, quer pelo domínio económico. Pelo que não podemos esquecer que os Muçulmanos ainda têm o mesmo problema. Foi a mesma Igreja Católica que, em nome da fé, negou o conhecimento científico produzido por Galileu. É esta interpretação do Corão que faz com que muitos matem para divulgar a fé, impondo-a, como nós também fizemos no passado, ao resto do Mundo.
Estamos então face a um dilema que é preciso equilibrar. O da liberdade. Afinal o mais difícil de satisfazer, porque há sempre gente que é atingida. Soluções? Não tenho. E não deve haver. Pelo menos das que sejam lógicas e não-ditatoriais. Agora, o que é certo é que, depois desta euforia do "somos todos Charlie" vai haver muita gente que vai deixar de o ser (na atitude, claro!) porque vai ter medo pela própria vida.
Deixo para o fim aquilo que me parece mais grave e que não vi ser discutido nas Televisões. O que fazer para evitar estes casos em Portugal. Este ataque não foi um ataque voluntarioso, ao estilo dos bombistas suicidas tradicionais. Este foi um ataque militar, com todas as técnicas, antes, durante e depois (principalmente este depois), inerentes a um ataque militar. Não nos podemos esquecer dos campos de treino, que são cada vez melhores, que são criados por aqueles lados. A maior parte até financiados por países do primeiro mundo, como os EUA ou a Rússia, no sentido de proteger os seus interesses, o que parece que lhes pode sair mais caro um dia destes. O que será que se pode fazer em Portugal para que isto não aconteça? Que medidas se deverão tomar para não incentivar este tipo de coisas? E se acontecer, que medidas deverão ser tomadas? Não vi nada disso discutido. Pelo contrário, notícias de longos minutos na descrição do que se passou aos olhos de cidadãos que viram da esquerda, da direita, a 100 metros, do fundo da rua. Isto não interessa. Mais uma vez, em Portugal, perdeu-se uma boa oportunidade para discutir o que de facto interessa. É para isso que queremos a RTP?
É óbvio que este acontecimento não é, de todo, um caso isolado. É um acontecimento que vem na sequência de muitos outros. Todos eles, isoladamente, podem ser vistos como inocentes. Contudo, se todos somados, pode começar a pensar-se numa bola de neve que pode vir a ter proporções algo graves.
É óbvio que o que os atacantes querem é que se sinta medo. E daí atacaram, sem dó, os seus principais críticos. E sem aviso. E no centro do multiculturalismo. França é o centro do multiculturalismo, onde a religião islâmica tem uma presença significativa.
Todos sabemos que a revista em causa era um "bastião" da liberdade de expressão. Criticava tudo o que entendia criticar, de forma mordaz, através de caricaturas, ao abrigo de algo que definiam como "liberdade de expressão". E daí, criticavam tudo. Criticaram, também Maomé. Ora, para os islamitas, Maomé é uma peça sagrada na sua religião, o que faz com que tenham criticado uma personagem que lhes diz muito.
Até aqui nada de novo. Qualquer um poderia dizer que, se se criticasse Jesus Cristo, não seria provável que acontecesse algo de similar. Pois não. Mas estamos a esquecer algo que é importante. O meio onde se insere o Islão. Meio pobre e ditatorial, propício a que apareçam interpretações mais extremistas do Corão, o que pode levar a atitudes extremas, como estas, ao contrário do cristianismo. Por outro lado, nos meios menos extremistas, não existe vontade em combater estes extremismos. Aliás, o mundo depende do equilíbrio que foi sendo feito, no sentido de evitar uma guerra fracticida no Médio Oriente. Deste modo, propagou-se fortemente uma interpretação mais extrema do Corão, que começa a ganhar força à medida que organizações como o "Estado Islâmico" ganham força.
A minha professora de Filosofia, numa das primeiras aulas, disse uma frase que me marcou daí em diante e que me irá marcar na minha vida. "A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro". Ora, os Islamitas poderão sempre argumentar que, se ao abrigo da liberdade de expressão, tiveram a liberdade de criticar algo que lhes é muito querido, eles também poderiam ter a liberdade de atacar esses críticos, ainda que eles tivessem a melhor das intenções.
Por outro lado, convém não esquecermos a História. Em 1436 (que é a correspondência do "nosso" 2015 para a era muçulmana), tínhamos acabado de matar muita gente pela conquista de Ceuta, que aliás, não rendeu assim grande coisa. Estávamos a pensar em progredir Africa abaixo, e a matar muita gente, quer pela fé, quer pelo domínio económico. Pelo que não podemos esquecer que os Muçulmanos ainda têm o mesmo problema. Foi a mesma Igreja Católica que, em nome da fé, negou o conhecimento científico produzido por Galileu. É esta interpretação do Corão que faz com que muitos matem para divulgar a fé, impondo-a, como nós também fizemos no passado, ao resto do Mundo.
Estamos então face a um dilema que é preciso equilibrar. O da liberdade. Afinal o mais difícil de satisfazer, porque há sempre gente que é atingida. Soluções? Não tenho. E não deve haver. Pelo menos das que sejam lógicas e não-ditatoriais. Agora, o que é certo é que, depois desta euforia do "somos todos Charlie" vai haver muita gente que vai deixar de o ser (na atitude, claro!) porque vai ter medo pela própria vida.
Deixo para o fim aquilo que me parece mais grave e que não vi ser discutido nas Televisões. O que fazer para evitar estes casos em Portugal. Este ataque não foi um ataque voluntarioso, ao estilo dos bombistas suicidas tradicionais. Este foi um ataque militar, com todas as técnicas, antes, durante e depois (principalmente este depois), inerentes a um ataque militar. Não nos podemos esquecer dos campos de treino, que são cada vez melhores, que são criados por aqueles lados. A maior parte até financiados por países do primeiro mundo, como os EUA ou a Rússia, no sentido de proteger os seus interesses, o que parece que lhes pode sair mais caro um dia destes. O que será que se pode fazer em Portugal para que isto não aconteça? Que medidas se deverão tomar para não incentivar este tipo de coisas? E se acontecer, que medidas deverão ser tomadas? Não vi nada disso discutido. Pelo contrário, notícias de longos minutos na descrição do que se passou aos olhos de cidadãos que viram da esquerda, da direita, a 100 metros, do fundo da rua. Isto não interessa. Mais uma vez, em Portugal, perdeu-se uma boa oportunidade para discutir o que de facto interessa. É para isso que queremos a RTP?
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
2014: BALANÇO
2014 foi um ano extremamente agitado. Não sei o que diziam os astros, mas foi um ano cheio de coisas irrepetíveis, para mais tarde recordar.
Foi o ano de tudo. Ex-ministros que foram condenados (e um até preso), um ex-primeiro-ministro que foi indiciado de um crime de corrupção (se o enriquecimento ilícito tivesse sido aprovado era um instantinho...) e algumas das mais altas figuras da administração do Estado que foram de cana. Como consequência, um ministro demitiu-se. Foi o ano do caos na Justiça (só em parte, não no todo - o Citius não é uma plataforma para todos os processos, só de uma determinada área), uma nova reforma que começou mal, mas que pode ser interessante, do caos no concurso dos professores (para quando são as escolas que se gerem e escolhem quem entendem para dar aulas, em vez de um concurso que é demasiadamente burocrático e um erro deita tudo a perder?) e dos seus pedidos de desculpa. Foi o ano da reforma do IRS e da Fiscalidade Verde. Foi o ano do Ébola e da Legionella, da Guerra na Ucrânia, e da crise, eterna, na Faixa de Gaza. Foi o ano do Mundial que correu mal e que a culpa foi da equipa médica (e depois, finalmente, do seleccionador, claro!), do Benfica ter ganho tudo em Portugal (e sim, com justiça!), das primárias do PS (algo inovador e extremamente interessante!), da resolução do BES (bastaria estudar o grupo que isso era previsível, mas os nossos media continuam na mesma e foram "surpreendidos" - ah!, e corajoso quem deixou cair o grupo!). Da saída de Alberto João Jardim do PSD-Madeira (parece que vai para deputado!) e das greves na TAP (cada vez mais me dão razão para privatizar a TAP!). E, claro, da eleição do cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade. Enfim, tanta coisa para mais tarde recordar.
Foi o ano da morte, não de Ricardo Reis, mas de Eusébio e Mário Coluna, Joe Cocker, Ariel Sharon, Claudio Abbado e Gerard Mortier, Soares Carneiro (o Candidato de Sá Carneiro a PR, que perdeu contra Eanes), Luis Aragonés, da Duquesa de Alba (que já devia uns anos ao túmulo), D. José Policarpo, Medeiros Ferreira, Gabriel Garcia Marquez, Tito Vilanova, Veiga Simão, Rodrigo Menezes, e de mais uns quantos (que o Público tão bem exemplifica). Da crise do Meco, da vitória de Rui Costa na Volta a Suiça e da saída da troika de Portugal (e depois o BES caiu). Foi um ano com coisas boas e más. como todos os outros.
Para mim foi mais um ano. Arranjei finalmente emprego (estou na contabilidade do Instituto de Medicina Molecular), acabei piano (e finalmente o curso do Conservatório!), fiz uma marcha, dois arranjos e dei aulas pela primeira vez na minha vida (foi extremamente gratificante!). O emprego fez-me sacrificar algumas coisas que concluí que também não quero perder (nem de perto nem de longe!) e as bandas e tocar com os meus amigos continuam a ser os meus maiores prazeres. Descobri um prazer maior, a composição (é uma das minhas áreas de eleição, só tenho de aprender mais um bocado da coisa) e decidi que quero ir tentando explorar ao máximo essa área, na medida das minhas possibilidades. Foi um ano em que descobri que não vale a pena lutar contra o destino - ele está traçado e lutar contra ele não traz nada de excepcional, bem pelo contrário. Foi o ano em que me apaixonei e me desapaixonei (c'est la vie...) e que, menos mal, consegui ir mantendo algumas das minhas capacidades a tocar clarinete, um dos grandes prazeres da minha vida. O ano em que fiz mais viagens Vila Real-Lisboa-Vila Real e que descobri que 5 horas de autocarro não são nada, ou são uma tortura, conforme se vá para onde se gosta ou para onde não se gosta de estar. Sim, Lisboa é o centro do mundo português, mas eu continuo a preferir Vila Real, de longe. O ano em que deixei de dar catequese (a vida em Lisboa e das bandas não dava para conciliar tudo...).
E que venha 2015. E Deus queira que seja melhor que 2014. Mesmo que à partida possa não parecer.
domingo, 21 de dezembro de 2014
AI AS PRESSAS, O QUE DÃO AS PRESSAS...
Se a minha professora de Matemática do 10º ano (Ana Paula Cordeiro, já agora) lesse esta frase, talvez se lembrasse daquilo que me lembro agora. Esta frase foi um comentário que fez num teste de Matemática (o primeiro do 2º Período) em que fiz uma simplificação à pressa e que saiu, obviamente, mal. Como não podia deixar de ser.
Lembrei-me disto a propósito das notícias que tenho vindo a ouvir nos últimos dias. E lembro-me daquilo que aconteceu no Verão passado (como no título do filme). Uma pressa enorme de Mário Soares contra Passos Coelho e António José Seguro, no sentido de os demitir e de preferência o quanto antes. Parecia que adivinhava. Em Novembro desse mesmo ano começavam os problemas no BES (afinal o banco do regime nos últimos tempos). E depois Seguro até ganha as Europeias e Sócrates vai preso.
O que é que isto tem de especial? Tudo. É tudo novo em Portugal. E estranho. Estranho que se tenha deixado cair um nome tão sonante do nosso meio. Ninguém esperava que o "dono disto tudo" fosse deixado cair com estrondo e sem espinhas. E depois ninguém esperava que houvesse um juiz com a "desfaçatez" de mandar prender um primeiro ministro. E tudo figuras tão próximas de Mário Soares (o considerado "pai" da democracia - para mim não fez nada, se não fossem os militares nunca teria mudado nada, e tem apenas o mérito de ter ajudado a encostar Cunhal a um canto...).
Agora chegamos à conclusão que todos os "grandes centros de decisão nacional" são apenas e só grupos de papel que aguardaram e aguardam a rajada de vento definitiva que os fará ruir com estrondo. E até lá pagamos todos nós a factura de termos tido gente incompetente que nos governou e que não teve coragem de os pôr no sítio. Ora, quando apareceu alguém com essa mesma coragem, e face a essa derrocada dos grupos, importava correr com essa pessoa o mais rapidamente possível. E vêm de todos os lados. O "status quo" português tem que imperar e, com razão ou sem ela, se há alguma coisa que o prejudique, essa coisa terá mesmo que ser removida, custe o que custar. Mas desta vez não foi. Honra seja feita a Pedro Passos Coelho e a Cavaco Silva que, mesmo face à indecente cena "irrevogável" (e a desfaçatez - agora sem aspas - de vir citar Sá Carneiro 20 dias depois), resistiram à mudança que tinha sido começado em 2011, feita na medida do possível e exigida por entidades externas.
Esta enorme pressa fez desconfiar o mais inocente dos cidadãos portugueses que acompanha a actualidade portuguesa. Era notório que alguma coisa estaria para explodir. Não se esperava que fosse tão forte. No meio disto tudo, apenas tenho pena que António Costa tenha feito o frete a Soares e tenha querido despachar Seguro apenas porque lhe cheirava a poder. Resultado: temos o PS com as mesmas caras que levaram o país à falência em 2011. E um líder parlamentar que elogia um Primeiro-Ministro que é suspeito de crimes e graves.
A coragem dos principais intervenientes, e a demonstração de grandeza de Seguro que, percebendo que não teria hipótese face a uma máquina oleada para o "destruir", independentemente da qualidade das ideias (que não eram sequer diferentes, bem pelo contrário), mas simplesmente por uma suposta "qualidade" pelo homem em si, são novas formas de fazer uma política que deixa o "status quo" abananado e fora do seu "habitat natural". Desta forma, tratou-se de fazer tudo o que fosse possível para encontrar falhas, mesmo que elas não existissem, mesmo à moda dos partidos da extrema-esquerda (aquela do "ir para além da troika" ou dos "piegas" são exemplos incríveis).
Deste modo, mais importante que tudo, é imprescindível que esta mudança não se perca no meio de todas estas "tramoias" que vão ocorrendo na nossa cena política. O facto de termos meios de Comunicação Social completamente domesticados por este "status quo" (as cenas que fizeram a Álvaro Santos Pereira - para depois se descobrir que afinal até tinha razão, mas sempre à posteriori) não vai ajudar nada a que Portugal se cure de 40 anos desta "cambada" (acho que tudo isto que descrevi não tem outro nome decente que se escreva - o que me apetece dizer é algo bem pior) que nos governou com olhos na sua barriga e nos seus bolsos e não nos interesses do povo que lá os colocou.
Quer isto dizer que Passos Coelho fez tudo bem? Não. Bem pelo contrário. Mas por diversas razões, umas por culpa dele e outras por culpa de outros intervenientes, as coisas não foram todas bem feitas. Passos Coelho neste momento parece-me ser o menos mau. E, se as coisas continuarem desta forma, terei que votar no menos mau dos candidatos. A outra hipótese é não me rever em nenhum. E aí tenho razões mais que fortes para duvidar do futuro do Portugal de que eu tanto gosto. E a coisa vai ser mesmo negra.
Lembrei-me disto a propósito das notícias que tenho vindo a ouvir nos últimos dias. E lembro-me daquilo que aconteceu no Verão passado (como no título do filme). Uma pressa enorme de Mário Soares contra Passos Coelho e António José Seguro, no sentido de os demitir e de preferência o quanto antes. Parecia que adivinhava. Em Novembro desse mesmo ano começavam os problemas no BES (afinal o banco do regime nos últimos tempos). E depois Seguro até ganha as Europeias e Sócrates vai preso.
O que é que isto tem de especial? Tudo. É tudo novo em Portugal. E estranho. Estranho que se tenha deixado cair um nome tão sonante do nosso meio. Ninguém esperava que o "dono disto tudo" fosse deixado cair com estrondo e sem espinhas. E depois ninguém esperava que houvesse um juiz com a "desfaçatez" de mandar prender um primeiro ministro. E tudo figuras tão próximas de Mário Soares (o considerado "pai" da democracia - para mim não fez nada, se não fossem os militares nunca teria mudado nada, e tem apenas o mérito de ter ajudado a encostar Cunhal a um canto...).
Agora chegamos à conclusão que todos os "grandes centros de decisão nacional" são apenas e só grupos de papel que aguardaram e aguardam a rajada de vento definitiva que os fará ruir com estrondo. E até lá pagamos todos nós a factura de termos tido gente incompetente que nos governou e que não teve coragem de os pôr no sítio. Ora, quando apareceu alguém com essa mesma coragem, e face a essa derrocada dos grupos, importava correr com essa pessoa o mais rapidamente possível. E vêm de todos os lados. O "status quo" português tem que imperar e, com razão ou sem ela, se há alguma coisa que o prejudique, essa coisa terá mesmo que ser removida, custe o que custar. Mas desta vez não foi. Honra seja feita a Pedro Passos Coelho e a Cavaco Silva que, mesmo face à indecente cena "irrevogável" (e a desfaçatez - agora sem aspas - de vir citar Sá Carneiro 20 dias depois), resistiram à mudança que tinha sido começado em 2011, feita na medida do possível e exigida por entidades externas.
Esta enorme pressa fez desconfiar o mais inocente dos cidadãos portugueses que acompanha a actualidade portuguesa. Era notório que alguma coisa estaria para explodir. Não se esperava que fosse tão forte. No meio disto tudo, apenas tenho pena que António Costa tenha feito o frete a Soares e tenha querido despachar Seguro apenas porque lhe cheirava a poder. Resultado: temos o PS com as mesmas caras que levaram o país à falência em 2011. E um líder parlamentar que elogia um Primeiro-Ministro que é suspeito de crimes e graves.
A coragem dos principais intervenientes, e a demonstração de grandeza de Seguro que, percebendo que não teria hipótese face a uma máquina oleada para o "destruir", independentemente da qualidade das ideias (que não eram sequer diferentes, bem pelo contrário), mas simplesmente por uma suposta "qualidade" pelo homem em si, são novas formas de fazer uma política que deixa o "status quo" abananado e fora do seu "habitat natural". Desta forma, tratou-se de fazer tudo o que fosse possível para encontrar falhas, mesmo que elas não existissem, mesmo à moda dos partidos da extrema-esquerda (aquela do "ir para além da troika" ou dos "piegas" são exemplos incríveis).
Deste modo, mais importante que tudo, é imprescindível que esta mudança não se perca no meio de todas estas "tramoias" que vão ocorrendo na nossa cena política. O facto de termos meios de Comunicação Social completamente domesticados por este "status quo" (as cenas que fizeram a Álvaro Santos Pereira - para depois se descobrir que afinal até tinha razão, mas sempre à posteriori) não vai ajudar nada a que Portugal se cure de 40 anos desta "cambada" (acho que tudo isto que descrevi não tem outro nome decente que se escreva - o que me apetece dizer é algo bem pior) que nos governou com olhos na sua barriga e nos seus bolsos e não nos interesses do povo que lá os colocou.
Quer isto dizer que Passos Coelho fez tudo bem? Não. Bem pelo contrário. Mas por diversas razões, umas por culpa dele e outras por culpa de outros intervenientes, as coisas não foram todas bem feitas. Passos Coelho neste momento parece-me ser o menos mau. E, se as coisas continuarem desta forma, terei que votar no menos mau dos candidatos. A outra hipótese é não me rever em nenhum. E aí tenho razões mais que fortes para duvidar do futuro do Portugal de que eu tanto gosto. E a coisa vai ser mesmo negra.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
A PRIVATIZAÇÃO DA TAP
Os últimos dias têm sido marcados pela comissão de inquérito sobre a derrocada do GES, a prisão de José Sócrates e a privatização da TAP. Quanto aos primeiros dois temas quero deixar o tempo rolar, de modo a que se possa compreender melhor a responsabilidade dos envolvidos. Quanto à TAP, penso que posso dar desde já a minha opinião.
Comecemos pelo princípio. A TAP quando nasceu não era uma empresa pública. Era uma empresa com capitais públicos. Foi fundada em 1945, por Humberto Delgado. Ela foi nacionalizada naquele corropio devaneista que assolou Portugal após o golpe militar que pôs fim ao "fascismo" (valha-me Deus!). Assim sendo, não era o Governo que governava, apesar de ser o Governo o accionista.
E podiamos ficar aqui a discutir este ponto. A diferença é que seria na mesma governada em função de critérios comerciais e não em função do mero interesse público "per si". Pois bem. Ao que parece, até 1974 nunca tinha havido problema.
Adiante. Agora discute-se a possibilidade de privatização. E o seu valor estratégico. Ouvem-se argumentos do tipo "a TAP é minha" ou "a TAP é tão importante como as caravelas". Ou outros assim. Outros dizem que, com a dificil situação financeira da TAP e com a impossibilidade de capitalização pública (decretada pelas leis europeias) seria ideal a entrada de um investidor privado que assegurasse a capitalização necessaria. Outros dizem que o ideal era só fazer um aumento de capital em bolsa que limitasse a entrada de privados a 49%.
Com tantas opiniões, eu também posso dar a minha. Eu não compreendo porque é que a TAP ainda é pública e porque é que os meus impostos ainda têm que aguentar com ela. No tempo da Ryanair, ou de outra companhia qualquer que pode fazer tanta coisa, ainda não percebi porque é que a TAP ainda é pública. Ainda para mais, porque ainda por cima dá prejuizo. E não pode ser capitalizada por entidades públicas. Aqui há dias, o presidente da TAP veio dizer que teve que fazer um lease-back de quatro aviões. A justificação "oficial" era para dar fôlego à tesouraria. Ou seja, não há dinheiro.
Segundo ponto. As greves. É incrível a quantidade de greves que os funcionários da TAP fazem. E da importância que eles sabem que têm e que usam a seu favor. Pensa-se que o Estado não deixará cair a TAP e, mais prejuizo, menos prejuizo, a coisa lá vai andando.
Em resumo. Por mim, privatize-se. Por mim, é indiferente. Mas de preferência, toda. E o status quo da estupidez portuguesa que vá, de uma vez por todas, abaixo de Braga. Ou a outro sítio qualquer.
Comecemos pelo princípio. A TAP quando nasceu não era uma empresa pública. Era uma empresa com capitais públicos. Foi fundada em 1945, por Humberto Delgado. Ela foi nacionalizada naquele corropio devaneista que assolou Portugal após o golpe militar que pôs fim ao "fascismo" (valha-me Deus!). Assim sendo, não era o Governo que governava, apesar de ser o Governo o accionista.
E podiamos ficar aqui a discutir este ponto. A diferença é que seria na mesma governada em função de critérios comerciais e não em função do mero interesse público "per si". Pois bem. Ao que parece, até 1974 nunca tinha havido problema.
Adiante. Agora discute-se a possibilidade de privatização. E o seu valor estratégico. Ouvem-se argumentos do tipo "a TAP é minha" ou "a TAP é tão importante como as caravelas". Ou outros assim. Outros dizem que, com a dificil situação financeira da TAP e com a impossibilidade de capitalização pública (decretada pelas leis europeias) seria ideal a entrada de um investidor privado que assegurasse a capitalização necessaria. Outros dizem que o ideal era só fazer um aumento de capital em bolsa que limitasse a entrada de privados a 49%.
Com tantas opiniões, eu também posso dar a minha. Eu não compreendo porque é que a TAP ainda é pública e porque é que os meus impostos ainda têm que aguentar com ela. No tempo da Ryanair, ou de outra companhia qualquer que pode fazer tanta coisa, ainda não percebi porque é que a TAP ainda é pública. Ainda para mais, porque ainda por cima dá prejuizo. E não pode ser capitalizada por entidades públicas. Aqui há dias, o presidente da TAP veio dizer que teve que fazer um lease-back de quatro aviões. A justificação "oficial" era para dar fôlego à tesouraria. Ou seja, não há dinheiro.
Segundo ponto. As greves. É incrível a quantidade de greves que os funcionários da TAP fazem. E da importância que eles sabem que têm e que usam a seu favor. Pensa-se que o Estado não deixará cair a TAP e, mais prejuizo, menos prejuizo, a coisa lá vai andando.
Em resumo. Por mim, privatize-se. Por mim, é indiferente. Mas de preferência, toda. E o status quo da estupidez portuguesa que vá, de uma vez por todas, abaixo de Braga. Ou a outro sítio qualquer.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
LICENCIADOS A MAIS?
Angela Merkel disse que temos licenciados a mais.
E pronto. Vem o caos, cai o Carmo e a Trindade e a alemã continua a mandar bitaites sobre Portugal. Porque raio não se dedica ela à Alemanha?
E agora vamos ver se confere ou não o que ela disse.
Convém contextualizar a afirmação. Ela disse isso numa reunião na Alemanha, onde se discutia a formação profissional. Onde se discutiam as vantagens da formação profissional face a uma licenciatura. E depois até comparou Portugal e Espanha que, segundo ela, têm muita gente com "canudo" e que têm taxas de desemprego elevadas face à Alemanha. O que é verdade.
Pelo que me apercebi, ao que parece, em proporção, temos tantos estudantes no Ensino Superior como a Alemanha. A questão está na oferta que existe. E na oferta que NÃO existe. A reforma de Veiga Simão, além de massificar o Ensino Superior (e principalmente na vertente mais técnica - com os Institutos Politécnicos) dava uma importância enorme a formação de técnicos que pudessem ser importantes, mesmo que não tivessem formação superior. O mesmo que acontece na Alemanha.
No nosso caso, dos desempregados, a maioria é jovem. Ou seja, faz parte da geração mais bem preparada de sempre, como se costuma dizer. Fora todos aqueles que já saíram. E será que, a maioria deles, com o canudo que não lhes adianta de muito, se tivessem uma formação profissional, não poderiam ter um emprego em Portugal? Não se discute a qualidade da formação (afinal, se vamos lá para fora e damos cartas é porque somos bons e a nossa formação é boa, ponto final) mas sim se a oferta de formação é a mais adequada.
E nesse aspecto, entre aquilo que formamos e aquilo que empregamos, estamos a ter muitos problemas. E é nisso que nos devemos focar. E nesse aspecto, ao não conseguirmos empregar muitos dos nossos formados, acabamos por nos confrontar com um excesso de licenciados. Pelo menos em algumas áreas. E falta deles noutras. E outros que dificilmente irão encontrar trabalho nas áreas em que se licenciaram. Então sim, temos licenciados a mais.
Agora temos duas hipóteses: reclamamos com Merkel ou resolvemos o nosso futuro. Eu prefiro a segunda.
E pronto. Vem o caos, cai o Carmo e a Trindade e a alemã continua a mandar bitaites sobre Portugal. Porque raio não se dedica ela à Alemanha?
E agora vamos ver se confere ou não o que ela disse.
Convém contextualizar a afirmação. Ela disse isso numa reunião na Alemanha, onde se discutia a formação profissional. Onde se discutiam as vantagens da formação profissional face a uma licenciatura. E depois até comparou Portugal e Espanha que, segundo ela, têm muita gente com "canudo" e que têm taxas de desemprego elevadas face à Alemanha. O que é verdade.
Pelo que me apercebi, ao que parece, em proporção, temos tantos estudantes no Ensino Superior como a Alemanha. A questão está na oferta que existe. E na oferta que NÃO existe. A reforma de Veiga Simão, além de massificar o Ensino Superior (e principalmente na vertente mais técnica - com os Institutos Politécnicos) dava uma importância enorme a formação de técnicos que pudessem ser importantes, mesmo que não tivessem formação superior. O mesmo que acontece na Alemanha.
No nosso caso, dos desempregados, a maioria é jovem. Ou seja, faz parte da geração mais bem preparada de sempre, como se costuma dizer. Fora todos aqueles que já saíram. E será que, a maioria deles, com o canudo que não lhes adianta de muito, se tivessem uma formação profissional, não poderiam ter um emprego em Portugal? Não se discute a qualidade da formação (afinal, se vamos lá para fora e damos cartas é porque somos bons e a nossa formação é boa, ponto final) mas sim se a oferta de formação é a mais adequada.
E nesse aspecto, entre aquilo que formamos e aquilo que empregamos, estamos a ter muitos problemas. E é nisso que nos devemos focar. E nesse aspecto, ao não conseguirmos empregar muitos dos nossos formados, acabamos por nos confrontar com um excesso de licenciados. Pelo menos em algumas áreas. E falta deles noutras. E outros que dificilmente irão encontrar trabalho nas áreas em que se licenciaram. Então sim, temos licenciados a mais.
Agora temos duas hipóteses: reclamamos com Merkel ou resolvemos o nosso futuro. Eu prefiro a segunda.
A BRIGADA DO REUMÁTICO... PERDÃO, DOS RESGATES
Esta semana foi notícia a tentativa de compra da PT (que pertence à Oi) por parte de uma série de empresas. É uma empresa apelativa, com uma boa implantação em Portugal.
Ora, os "manifestos" não se fizeram esperar. São sempre os mesmos, as mesmas pessoas, que cada vez menos influência têm no país, felizmente!, e que insistem em querer dar a sua opinião sobre tudo. São as eminências pardas deste país que se autorizam a dar opiniões sobre tudo. E insistem que toda a gente os siga.
Esta semana insistiram que o Estado deveria comprar a PT. Valeu tudo. Trocar as PT's em questão (Freitas deu um espectáculo deplorável, no mínimo) ou então dizer que o Estado deveria incentivar empresários portugueses, através da CGD ou pelo Novo Banco, ou então aproveitar os excedentes da renegociação dos juros para comprar os 33,34% da PT. Presumo que seja para criar mais uma "Golden Share" com tudo aquilo que se conhece.
Se há coisa que se noticiou por estes lados foi o efeito da intervenção estatal nas empresas públicas, das quais a PT e a EDP foram os casos mais conhecidos. A contínua destruição de valor, por meros interesses e negociatas é algo por demais conhecido. E algo que é para evitar a todo o custo.
Se há algo que a Troika trouxe a Portugal, e não Pedro Passos Coelho (que se limitou a ir a reboque), foi uma mudança nas bases, por assim dizer, do regime. Em que as mesmas pessoas de sempre se autorizavam a mandar os bitaites de sempre e toda a gente os ouvia com toda a atenção e reverência. Aos poucos a coisa foi mudando e agora é vê-los a espernear. E a escrever manifestos por todo e qualquer assunto.
Faz lembrar a parte final do regime de Marcello Caetano. Com as tropas a rebeliarem-se, não seriam os Generais a garantir que tudo continuaria bem. Como não continuou. E estes imitam essa brigada na perfeição.
Ora, os "manifestos" não se fizeram esperar. São sempre os mesmos, as mesmas pessoas, que cada vez menos influência têm no país, felizmente!, e que insistem em querer dar a sua opinião sobre tudo. São as eminências pardas deste país que se autorizam a dar opiniões sobre tudo. E insistem que toda a gente os siga.
Esta semana insistiram que o Estado deveria comprar a PT. Valeu tudo. Trocar as PT's em questão (Freitas deu um espectáculo deplorável, no mínimo) ou então dizer que o Estado deveria incentivar empresários portugueses, através da CGD ou pelo Novo Banco, ou então aproveitar os excedentes da renegociação dos juros para comprar os 33,34% da PT. Presumo que seja para criar mais uma "Golden Share" com tudo aquilo que se conhece.
Se há coisa que se noticiou por estes lados foi o efeito da intervenção estatal nas empresas públicas, das quais a PT e a EDP foram os casos mais conhecidos. A contínua destruição de valor, por meros interesses e negociatas é algo por demais conhecido. E algo que é para evitar a todo o custo.
Se há algo que a Troika trouxe a Portugal, e não Pedro Passos Coelho (que se limitou a ir a reboque), foi uma mudança nas bases, por assim dizer, do regime. Em que as mesmas pessoas de sempre se autorizavam a mandar os bitaites de sempre e toda a gente os ouvia com toda a atenção e reverência. Aos poucos a coisa foi mudando e agora é vê-los a espernear. E a escrever manifestos por todo e qualquer assunto.
Faz lembrar a parte final do regime de Marcello Caetano. Com as tropas a rebeliarem-se, não seriam os Generais a garantir que tudo continuaria bem. Como não continuou. E estes imitam essa brigada na perfeição.
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