sábado, 29 de outubro de 2016

VITORIA FC X FC PORTO

Meu caro Nuno,

Não o ouvi nas entrevistas rápidas. Pelo que li, concordo em absoluto consigo. Este era um jogo que era para vencer. E estes jogos ganham-se antes do intervalo. E, ao intervalo, estávamos empatados.

Não duvido que estes jogadores estavam comprometidos com o jogo. Estavam. Lutaram. Correram e deram o litro. Não chegou. Faltou eficácia e um pouco mais de qualidade. Até, porventura na hora de mexer. Herrera devia ter saído mais cedo. Se calhar era Depoitre e não Brahimi a entrar. Numa altura em que era preciso mais, tirar uma das referências pode não ter sido a melhor ideia. Por outro lado, compreendo-a. Tirar o foco da área, e, com algum lance de inspiração, a coisa poder funcionar. Não funcionou.

Do resumo da flash que li no jornal, só faltou falar de uma coisa, que, se calhar, deveria ter falado. E só deveria ter dito que "a mim, não me comem de cebolada". Penso que deveria chegar para ser entendido. O Setubal a queimar tempo o jogo quase todo e só uma advertência por esse facto. Tempos de desconto um bocado "à remisga". Um penalty por marcar, mais um livre perigoso por marcar. Enfim. Já tinha dito que tinha saudades de ver o FCP ser roubadinho. Este ano já matei as saudades que tinha.

A sua liderança também terá que passar por aqui. Directa, ou indirectamente. Ou seja, ou o senhor, ou alguém por si terá de vir dizer que "não somos comidos de cebolada". Penso que esta frase deveria chegar para ser compreendida. A estrutura já teve melhores dias e estas coisas, que antes eram intuitivas, agora têm que ser aprendidas outra vez.

E para terminar, relembro: estes jogos são para ser ganhos antes do intervalo. Isso é essencial. Quanto mais não seja para que possamos ser "comidos de cebolada" e não darmos conta disso. O resto é acessório.

Continuação de bom trabalho.

domingo, 23 de outubro de 2016

JOSÉ MOURINHO

Meu caro José Mourinho,

Permita-me, antes de mais, tratá-lo pelo seu nome, sem nenhum "qualificativo" a antecedê-lo. Além do mais, como tal é uso em Inglaterra, presumo que deva estar mais que habituado a tal, e não me parece que venha mal algum ao mundo.

Escrevo-lhe porque estou muito preocupado consigo. Desde 2009 que me parece deixar de estar a ver um treinador "vencedor" e passou a ser um treinador "medrosíssimo".

Como não acredito que as pessoas mudem de convicções à moda de Groucho Marx, estou convencido que alguém lhe fez uma lavagem cerebral (ou coisa que o valha) e que o fez esquecer o que já fez. Ao que parece, deve ter apenas as imagens dos troféus que ganhou, mas não deve ter presente a forma como os ganhou. E eu gostaria de o fazer relembrar as suas origens, a forma como, no início da sua carreira, colocou as suas equipas a jogar futebol.

O senhor começou a ser conhecido como tradutor de um senhor do futebol chamado Bobby Robson. Acompanhou-o no Sporting (onde foi despedido), no FC Porto e no Barcelona. Depois de Robson chegou Van Gaal e, quando era adjunto, o Benfica contratou-o como treinador. O senhor fez uma coisa espantosa e com um conjunto perfeitamente banal (com jogadores tão banais que era risível como jogavam no clube, como Dudic, Escalona, Chano ou Diogo Luis) conseguiu fazer a equipa jogar bem e, até, ganhar ao Sporting 3-0 na Luz. Já lhe digo qual era o esquema táctico.

Depois, o senhor exigiu que lhe renovassem o contrato. E bem, diga-se de passagem. O clube tinha mudado de presidente e convinha saber com que linhas é que se cosia. O clube não aceitou e o senhor foi à sua vida. Deu um passo atrás e foi treinar um clube chamado UD Leiria - que hoje está algures entre os distritais e a antiga II Divisão B. Encontrou jogadores que foram importantíssimos para si (também já lhe digo porquê) como Derlei, Nuno Valente e Maciel. Tal como no Benfica, as coisas correram bem, e o senhor, a meio da época foi para o grande rival do Benfica, o FC Porto, para minha enorme alegria (se bem que eu o achava um tanto ou quanto presunçoso, mas muito competente).

O seu esquema táctico de sempre assentava no 4x3x3. No Benfica, no Leiria e no FC Porto. Derlei e Nuno Valente, e mais tarde Maciel, foram importantes para si porque ganhou quase tudo o que havia para ganhar nos dois anos subsequentes - faltou uma Supertaça Europeia (onde, para variar, fomos prejudicados por uma explusão por marcar a Seedorf com 20-30 para acabar o jogo e nós a dominar), e de resto ganhou tudo.

Não se esqueça desta parte - o seu sistema táctico de sempre era o 4x3x3. Como ganhou tudo no FCP decidiu mudar de ares. Não o fez da forma mais delicada (disse que queria ir embora numa flash-interview, o que não é bonito), mas foi. E foi seduzido por uma proposta de um milionário russo que, um ano antes, tinha tomado conta de um clube inglês - o Chelsea. Sim, o senhor passou por lá duas vezes, não foi só uma.

Quer no Porto, quer no Chelsea, o senhor teve duas premissas essenciais. Não há espaço para vedetas: a única vedeta era a equipa. Por isso, no Porto, dispensou pseudo-estrelas como Ibarra, Maric, ou Pavlin. No Chelsea fez o mesmo com Verón (internacional argentino), Crespo (idem), Petit (francês, não o do Benfica e de Portugal que hoje treina o Tondela), etc, etc. E sempre em 4x3x3. Contratou Makelele, Drogba, Robben, e outros. Característica? Nenhum deles era estrela. Estrela era a equipa. E funcionou, sabia? Meias finais da Champions três anos seguidos, dois campeonatos e o outro a lutar até ao fim, uma Taça de Inglaterra, entre outros. A coisa correu bem. No início da quarta época o senhor teve um problema com o dono do clube, que não lhe deu os jogadores que o senhor queria e, depois de um início titubeante (e consta-se que em guerra com alguns dos pesos pesados do plantel, como Lampard - é verdade, o senhor potenciava bem jogadores que não eram muito conhecidos, como este e Terry), pôs-se a andar dali para fora.

Depois foi para Itália. Voltou a ser rei e senhor da coisa. Imagine-se que até houve um ano em que ganhou tudo. Campeonato, Taça e Champions. Em dois anos, mudou a equipa toda, dispensou as pseudo-estrelas que por ali andavam (imagine-se, o senhor dispensou Patrick Vieira, Suazo e Recoba) e contratou Milito (que ninguém sabia quem era, excepto quem jogasse Football Manager), Sneijder e Thiago Motta. Sim, eles passaram por si para serem estrelas do futebol europeu. Mais uma vez, sempre em 4x3x3 e sem grandes estrelas na equipa.

Todas estas três equipas têm ainda um outro ponto em comum. Além de jogarem em 4x3x3, jogavam bem à bola. Então o FCP da primeira época e o Chelsea da primeira época, principalmente, jogavam à bola que se fartavam. Mesmo. Parece impossível? Mas é verdade.

Depois vem aquele que eu acho que é o fim da história. Quando ganha a Champions, o senhor, ao despedir-se de Materazzi fica extremamente emocionado e chora. Penso que foi aí que o senhor ficou com amnésia definitiva sobre tudo aquilo que fez. Porque depois foi para o Real Madrid e é o que se sabe. Continuou sem contratar grandes estrelas, mas deixou de jogar em 4x3x3 e passou a jogar em 4x2x3x1. E pior, a sua equipa deixou de ter futebol de qualidade, a não ser a espaços. Em Espanha aquilo eram favas contadas e ficava tudo entre Real Madrid e Barcelona. No primeiro jogo entre Real e Barça o senhor levou 5 batatas a seco. Ainda ganhou a Taça, num jogo em que se limitou a defender, do princípio ao fim. Parece que isto lhe serviu de inspiração. O senhor preferiu que as suas equipas passassem apenas a defender e depois alguém na frente que resolvesse o resto do assunto. No Real tinha Ronaldo e a coisa lá se safava. Ganhou um campeonato e na terceira época entrou em choque com quase toda a gente e foi-se embora.

Depois voltou ao Chelsea. A jogar sem trincos, no primeiro ano fez a desfeita ao Liverpool para não ganhar o campeonato, e conquistou-o no segundo. A meio da terceira época foi despedido. E agora está no United.

E como, desde aquele abraço do Materazzi, eu acho que e senhor teve uma "lavagem cerebral" gostaria de lhe dar uma ajudinha. O senhor tinha como base, não saber defender, mas sim ter a bola em seu poder muito tempo. Não era como as equipas de Guardiola, que são aborrecidas, mas era uma equipa normal, digamos assim. E isso assentava numa defesa com qualidade, num trinco que fosse quase omnipresente (Costinha, Makelele, Cambiasso), e médios que soubessem controlar bolas e passar bolas. Ah!, e eram essencialmente equipas relativamente baratas.

O seu último Chelsea e este United são caricaturas daquilo que o senhor fazia. Então este United é de fugir. E eu vou ao assunto: depois disto tudo, percebe porque é que não se justifica ter dado 120 milhões de euros por uma inutilidade ambulante chamada Pogba, quando podia perfeitamente ter repartido esses milhões todos por, pelo menos quatro jogadores: um central a sério para fazer companhia ao miudo francês que me parece ter algum jeito, mas Smalling é um perigo, um lateral esquerdo, porque Shaw está sempre lesionado, um trinco que seja um suporte a defender (sim, porque no seu United ninguém defende!) e um extremo a sério, um abre-latas que não Rashford ou Martial (a propósito, que é feito de Dapay?). E sim, José, tem mesmo de voltar ao 4x3x3, com um "cabeça-de-área" que lhe controle aquele jogo todo. Não vá mais longe - vá ao Porto buscar o Comendador Danilo Pereira ou ao Benfica buscar Fejsa, se bem que esse está muitas vezes lesionado, mas que também é muito bom. Penso que 30 milhões serão mais que suficientes para trazer qualquer um dos dois. E trate, também, de melhorar a parte do futebol. As suas equipas parece que estão a jogar sobre brasas, o que não as ajuda. Além de que o senhor parece que tem medo de qualquer equipa que jogue para cima de metade da tabela. Isto, para a sua qualidade, é, de facto, incompreensível.

Acredito que este possa ser o seu "ano zero" de United. Mas tenha paciência. O senhor tem qualidade e capacidade para, apesar disso, fazer mais e melhor.

Com os melhores cumprimentos.

sábado, 22 de outubro de 2016

AROUCA X FC PORTO

Meu caro Nuno,

Quero congratulá-lo por mais uma vitória. Vou começar pelas coisas más, ou, melhor dizendo, pelas coisas que não gostei, e vou terminar com as coisas que gostei e uma sugestão.

Não gostei de muitas coisas, começo por dizer-lhe. Encostar Oliver a uma ala é tirá-lo do jogo, ainda para mais num jogo em casa, que é para ganhar, e quanto mais cedo melhor. A prova é que, quando vinha para o meio, o espanhol era muito mais perigoso e muito mais eficiente nas intervenções que tinha no jogo. O pior é mesmo a parte de colocar Herrera no meio - o mexicano estorva mais do que ajuda. O ideal será mesmo voltar ao plano inicial e não lhe mexer muito - Oliver no meio e Herrera encostado a uma das alas.

Não gostei da forma um pouco apática como entrámos na 2a parte. Estávamos mesmo a pedir um golo do Arouca, que só não acontece porque eles jogam pouco e também porque tivemos um grandíssimo Danilo, a fazer jus à comendadoria com que foi agraciado.

Não gostei também, e isto volta e meia vem-se repetindo, pela nossa incapacidade em "desengonhar" o jogo (com Oliver no meio o jogo fica muito mais fluido) e, ainda pior, na nossa incapacidade em criar oportunidades de golo, principalmente na 2a parte. O senhor sabe disso, este tipo de jogos propicia-se a um erro defensivo que, originando um golo, torna-se difícil de contrariar.

De resto, gostei do princípio. Corona é uma mais valia, que pode ajudar a que Octávio possa ser poupado mais vezes - cuidado com a lesão dele, não vale a pena forçar. Voltei a gostar dos laterais - um e outro muito interventivos no ataque. O ideal seria chamar um dos emprestados para fazer a segunda metade da época, para ajudar na rotatividade.

Por fim, as sugestões: Brahimi tem as ideias lá, mas nota-se que tem falta de ritmo de jogo. Quarta-feira a equipa B joga? Se sim, ele deveria jogar os 90 minutos. Ele está com muito tempo de jogo perdido e quanto mais jogar, melhor para ele. Nota-se que as ideias estão lá, mas veio ao de cima o Brahimi sem forma: trapalhão, ansioso, a querer fazer tudo sozinho. E "rezingão". Diga-lhe lá que os adeptos gostam é de alto rendimento, e que ele não tem a melhor das famas nas bancadas. Portanto, as pessoas têm tendência a ser muito mais exigentes com as pessoas de quem "não gostam". É assim em todo o lado e ele tem que se habituar a não ser estrela.

Para terminar, um elogio - Brahimi é um bom jogador e tem que ser acarinhado e valorizado. Gostei da sua atitude quando, após mais uma iniciativa infrutífera Brahimi foi assobiado, se apressou a incentivar o jogador. Nota-se que ele está muito ansioso e que quer voltar aos "velhos tempos". A sua capacidade de liderança (neste caso "afectiva") é, como sempre, essencial, porque a célebre "estrutura" já viveu melhores dias.

Continuação de bom trabalho.

domingo, 2 de outubro de 2016

NACIONAL X PORTO

Meu caro Nuno Espírito Santo,

Quero desde já congratulá-lo pela melhor exibição que o Porto fez esta época, destronando o jogo feito em Roma, na segunda mão da pré-eliminatória da Champions League desta época.

Queria também felicitá-lo porque finalmente parece que descobriu duas coisas que pareciam impossíveis: a melhor forma de usar o Herrera sem que ele estorve como costuma estorvar (essa, sim, foi a grande descoberta e que pode mudar a temporada) e também qual o melhor avançado para jogar ao lado do André Silva. Esta descoberta tem um problema associado - temos que arranjar 20 milhões de euros, ou uma cunha do Jorge Mendes, para ele poder ficar por cá mais uns anos.

Comecemos pelo princípio. Esta época Boly terá que ser sempre o terceiro central. Como não fez a pré-temporada, não tem as rotinas de jogo para jogar com Felipe (a propósito, diga-lhe para ele ter um pouco de calma: fez um corte que me ia matando de susto, aquele biqueiro na bola, a 1 metro da nossa baliza, podia ter dado golo - ele não pensou nisso?) e Marcano, pelo menos para estes jogos, até parece o Maldini - certinho, a coisa nem tem estado a correr assim tão mal. E Danilo voltou a ser um gigante no meio campo. Podia ter dado descanso a um dos laterais, quando meteu o Maxi, mas pronto, são opções que não vou discutir.

Laterais em bom nível. Muita produção atacante e muita ajuda ao extremo (Telles) e muito envolvimento ofensivo (Layun). A coisa, por estes lados, também parece estar a encarrilhar. Podiamos era não ter emprestado um dos laterais, para irmos fazendo a rotação e eles estarem sempre a bom nível. Qualquer um deles. Layun, fazendo as duas posições, é uma mais valia. Nesse aspecto foram duas boas compras.

No meio, Octávio e Oliver parecem estar a entender-se e, dando espaço a Herrera para ele correr e levar a bola, sem estar sempre no meio a "engonhar", o homem até parece grande jogador. Essa foi uma boa ideia - encostá-lo à direita, para proteger o sempre ofensivo Layun (ou Maxi, que também é ofensivo) e tirá-lo do pior sítio onde o podiam ter metido -  o centro do jogo. Aí, Oliver é mestre a jogar e Octávio tem tudo para poder dar mais uns cobres ao Porto. É só saber potenciar os homens. Mais um problema: afinal vamos ter que dar 40 milhões ao Atlético de Madrid. Podíamos era pedir para fazerem um abate pelo preço absurdo pelo qual pagámos o Adrian Lopez. Com o jeitinho do Jorge Mendes, a coisa fazia-se por 30.

Na frente, André Silva é nitidamente um "nº 9" e livre-se de o voltar a por nas costas do Depoitre. Faça isso apenas em caso de desespero - e pode ser (não garanto) que a coisa resulte. A dupla da frente é Jota e André, é portuguesa e vai dar para os próximos 10 anos na selecção. Os 20 milhões de euros, caso fique cá 10 anos, é o mesmo que pagar 2 milhões por ano por um barrete - acredite que compensa mais.

Jogar com Jota na frente traz mais uma coisa importantíssima: jogar nos espaços, em vez de jogar no pé. Esta última forma requer executantes exímios e rápidos a jogar, o que não é o caso dos nossos jogadores. A primeira pede transições rápidas e passes de rotura - o ideal para jogadores com a criatividade de Oliver ou Otavio. Penso que seria interessante continuar nesta trajectória, mudando apenas um ou outro jogador no próximo jogo, que será em casa.

Gostei também da atitude. O seu murro na mesa no final do jogo de Tondela foi importantíssimo. Mais importante que tudo o resto. Uma equipa que quer lutar pelo título tem que ganhar estes jogos. Aliás, pode mesmo mostrar as estatísticas - o Porto já perdeu os dois jogos com o Benfica e mesmo assim foi campeão. É nestes jogos que se perdem os campeonatos. O Sporting também estava a ganhar e, pelos vistos, facilitou e permitiu o empate. Hoje não o permitimos e fomos à procura do quarto golo para confirmar. É disso que os adeptos do Porto gostam, como sabe: mais e mais. Bobby Robson, após uma má exibição do Porto, mandou os jogadores treinar. É isso que queremos: atitude e ambição - sempre para mais, nunca para deixar correr.

Neste tempo de selecções o ideal é aproveitar para rever a matéria dada com quem chegou mais tarde. Jota e e Boly podem lucrar muito com isso.

Nunca se esqueça do que lhe venho a dizer - é a sua capacidade, ou falta dela (e eu espero que não), que poderá fazer a diferença para este plantel. A estrutura do passado não conta para estas coisas.

Cumprimentos.

sábado, 24 de setembro de 2016

PORTO X BOAVISTA

Meu caro Nuno Espírito Santo,

Quero desde já congratulá-lo pela vitória frente ao Boavista. É sempre um adversário complicado e, contra o Porto ainda mais, porque é sempre um derby e um derby é sempre para ganhar.

Confesso que não vi o jogo. Só li análises muito superficiais e ia acompanhando os melhores momentos pelo Facebook. Pelo que constato, finalmente compreendeu aquilo que o espera. E espero que tenha compreendido que a dispensa de Gonçalo Paciência foi um erro muito grave que terá que ser corrigido na próxima época.

É mais que óbvio que, a nível interno e contra adversários mais fracos na Champions, o Porto terá que jogar em 4x4x2. Mas não pode jogar com André Silva e Depoitre na frente. Os dois, apesar de terem diferentes características, são dois "nº 9". Logo, mesmo que se queira muito, eles não casam bem no mesmo onze. Quando muito, isso pode acontecer em casos de desespero e de "bola para a frente". Mas, na maioria dos casos, isso dificilmente acontecerá.

Logo, terá que jogar alguém com características de segundo avançado. Um pouco como Bryan e Bas Dost no Sporting e Jonas e Mitroglou no Benfica. Nós teremos que nos desenrascar com Adrian e André Silva. A propósito, se calhar Bueno também daria um certo jeito. Lopetegui, dos jogadores que trouxe que não são "murraça", até pensou bem. Casimiro e Óliver, Adrian e Bueno. Bons para 4x4x2. Azar dos diabos que ele jogava em 4x3x3. Ele não percebia mesmo nadinha dsto.

E esse segundo avançado terá que ser, que remédio!, Adrian Lopez. Ele não me parece mau de todo, afinal até jogava muitas vezes no Atlético de Madrid, mas terá que ter mais rodagem. E terá que jogar mais vezes.

De resto, meio campo com Oliver e Danilo (os jogos primeiro ganham-se e depois é que se poupam jogadores!) André André a equilibrar numa ala e Octávio a desequilibrar na outra. A defesa é esta (as rotinas ganham-se na pré-época, certo?) e a coisa tem tudo para correr bem.

E sim, quando estiver a notar que está a ser prejudicado queixe-se! Mais uma vez parece que fomos prejudicados. Hoje não fez falta, mas um dia destes até pode fazer. Relembre-se sempre disto: vai depender da sua capacidade de liderança suprir as faltas de uma estrutura que, é assumido, já viveu melhores dias.

Continuação de bom trabalho.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

TONDELA X FC PORTO

Nuno,

Vou directamente àquilo que considero que não correu bem e/ou que não foi bem feito. Houve alguns problemas que, a esta hora, já deveriam estar a ser evitados. Confesso que só ouvi o jogo pela rádio, pelo que só tenho presente o relato do jogo e nada mais.

Voltou a dar-me ouvidos e voltou a jogar em 4x4x2. Este é o sistema a usar neste tipo de jogos. Em 4x3x3 estaríamos a engonhar sem necessidade nenhuma. Contudo, ainda não se apercebeu que André Silva e Depoitre são os dois para a posição 9 e nenhum deles serve para segundo avançado? Adrian Lopez foi que nem mel para tentar resolver o assunto. Assim que entrou, a quantidade de oportunidades de golo disparou.

Continuando, tem que estabilizar. O plantel não é o melhor dos três grandes. Correctíssimo. Mas tem que estabilizar. Andar a mudar muito de jogo para jogo foi aquilo que Lopetegui fazia e que não resultava. Não sei porquê, mas a entrada de Boly pôs a defesa em cheque e, para além disso, tirar Danilo é mexer 2 em 4 (GR, os DC e o MDC), o que não ajuda a estabilizar a coisa. Não é que eles sejam maus, mas mexer muito não ajuda a dar segurança. E o senhor sabe disso.

No meio, André André conseguiu a incrível proeza de fazer mais um jogo completo. O rapaz tem a raça portista, é certo, mas a qualidade, Nuno, permita-me, fica um bocadinho aquém. E hoje, o Porto precisava de mais qualidade no passe. Logo, deveria ter entrado Óliver. Brahimi ajudou a desequilibrar e Octávio hoje não estava tão inspirado. Após tudo isto, pergunto: qual era o problema de mudar tudo ao intervalo. Quando mudou, fê-lo bem, mas já se tinham perdido mais de 15 minutos. E, se calhar, com mais 15 minutos assim até poderíamos ter marcado e disfarçado os problemas. A propósito de qualidade de passe, que é feito de João Teixeira?

Depois, aquilo que me pareceu um bocado idiota. Na primeira parte, porquê atacar com o sol a bater nos olhos? Era na primeira parte que se deveria ter matado o jogo. Logo, teríamos de ter jogado ao contrario! Não houve nenhuma alma caridosa que dissesse ao Ruben Neves a forma como, se possível, deveríamos ter começado a jogar?

Para terminar, hoje a atitude não foi a mesma de outros dias. Hoje perdemos os duelos físicos todos e houve gente que não teve muita vontade de correr. Robson, noutros tempos, depois de um jogo menos conseguido, mandou os jogadores treinar no fim do jogo. Isso, por exemplo, teria sido de valor, e penso que o Tondela não se importaria de ceder o relvado por mais duas horas. Lembra-se de ter dito, na conferência de imprensa que o Porto não ficaria atrás do Tondela em atitude? Não pareceu...

Por fim, gostei da sua performance na flash interview. Sem complexos, disse que não gostou e eu, e penso que todos os portistas, concordamos consigo. Agora, falta transportar isso para o jogo. E sim, estes jogos são mesmo para ganhar e não há volta a dar. Hoje perdemos dois pontos que nos poderão fazer falta no futuro.

Termino, como sempre, relembrando-o que a estrutura já não é o que era. Lembre-se que será a sua capacidade de liderança que fará a diferença entre as coisas correrem bem ou não. E hoje, penso, a sua forma de conduzir a equipa não foi a mais adequada. E, como tal, hoje as coisas não correram bem. Deu para reter.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

FC PORTO X COPENHAGA

Meu Caro Nuno,

Começo por constatar que não percebeu nada daquilo que o último jogo, contra o Vitória de Guimarães, lhe tinha trazido. Foi, na minha opinião, o melhor jogo da época e merecia que tivesse tido continuidade no jogo de hoje. E, para ter continuidade, não deveria ter havido mudanças no onze que entrou face ao último jogo. Pelo contrário, mudou, e mudou não só o sistema como meteu um jogador que, em 4x3x3 não rende tanto como poderia render em 4x4x2.

Comecemos pelo princípio. Os problemas de sempre mantiveram-se. O nosso avançado estava sempre fora de sítio, a procurar espaços que não conseguia encontrar na área. O pinheiro chegou tarde, e, como previsível, quando chegou não servia para muito, uma vez que os dinamarqueses também eram altos. O pinheiro deveria ter entrado logo ao princípio para ir fazendo mossa no ataque. 

Convenhamos que o golo cedo ajudou a disfarçar as coisas. Mas, contra o Copenhaga, como contra outra equipa mais fraca, ter tanta gente no meio campo, em vez de ajudar, atrapalha. E foi o que aconteceu. Aquilo não desandava. A objectividade do 4x4x2 de Sábado perdeu-se pelo caminho. E Marcano, mais uma vez, provou-se que, quando posto à prova, é um perigo. Onde anda Boly? Se é pior, porque veio?

Resumindo - para estes jogadores, o sistema ideal é o 4x4x2. E Herrera, se ele tem que jogar, tem que se lhe dar espaço para ele fazer o que sabe melhor, que é correr com a bola nos pés. Por isso é que ele brilha tanto quando temos que jogar em ataque rápido. Correr com a bola nos pés é com ele. Se não quer assim (eu até gosto) então tem que o meter no banco. Corona foi inconsequente. Mas penso que poderia ajudar bastante em 4x4x2 como avançado móvel. Porque não experimentar?

Terceiro ponto: Ruben Neves. É um crime um jogador destes não jogar. Já sabe a minha opinião: Danilo a central e Ruben Neves a médio. Ou seja, resumindo: Casillas, Layun, Felipe, Danilo, Telles, Ruben, Herrera, Oliver, Octavio, André Silva e Depoitre. Adrian tem que chegar como alternativa até Dezembro e Corona pode ser a quarta alternativa. A equipa B tem que servir de viveiro.

E hoje, do banco, nem sempre veio a mudança correcta. Depoitre tinha que ter entrado logo, juntamente com Brahimi (pareceu-me mais disponível para o jogo, mas muito inconsequente) para tentar dar uma sapatada no jogo mais cedo. Já lhe disse: depende da sua capacidade de liderança que isto corra bem. A estrutura já não é o que era e a passagem de Lopetegui deixou muitas marcas negativas que vão custar a sarar. Gostei, contudo, da análise crítica no final. Não é com paninhos quentes que as coisas se resolvem.

Continuação de bom trabalho.