"O país inteiro sabe quem deveria estar a pedir desculpas a Portugal."
Esta afirmação foi feita por PPC numa entrevista, hoje, a Constança Cunha e Sá, da TVI, à pergunta se iria voltar a pedir desculpa aos portugueses, por viabilizar um aumento de impostos.
Posso não me revêr em tudo aquilo que PPC tem dito e / ou feito, mas esta frase assenta como uma luva àquilo que vamos vivendo em Portugal. Aquilo de que estamos a falar significa o meu desemprego. Por dois motivos:
1) Não há muito emprego disponível, pois vivemos uma altura de recessão e o melhor é sempre cortar custos...
2) Corremos o sério risco de, a partir de 1-1-2011 não podermos pedir empréstimos aos bancos. Ou seja, Cortando o financiamento da banca à economia, está o caldo entornado. E o barco corre sérios riscos de ir ao fundo.
Primeiro culpado? São muitos. Mas não deixo de pensar que Santana Lopes avisou que isto ia acontecer em 2008 (30 de Abril, ver youtube.com) e que em 2009 Ferreira Leite avisou que isto ia acontecer, durante meses a fio, e que foi considerada a "profeta da desgraça", por Vitalino Canas, porta-voz do PS. O que diria a opinião pública e publicada se Santana fosse primeiro-ministro também gostava de saber. Gostava também de ser mosca e ir à cabeça de Sampaio, o senhor que deu origem a isto tudo quando demitiu um governo com maioria absoluta por suspeitas de instabilidade.
Mas voltando ao que interessa. PPC pode, ao querer melhorar algo que muito dificilmente será melhorável, estar a suicidar-se politicamente, ficando associado ao OE2011. Ângelo Correia diz que seria preferível deixar Sócrates cair de maduro. Mas PPC está a demonstrar a fibra dos homens de Trás-os-Montes (que Sócrates - nascido em Vilar de Maçada - e Silva Pereira tanto têm deixado ficar mal...), a responsabilidade com que lidamos com a realidade e a nossa grande capacidade de lidar com situações mais difíceis.
Não sei o que faria no lugar dele. Se chumbaria o OE11, tão mau que ele é, ou o deixava passar, em nome do país, como defende Rangel. É uma situação difícil. Conhecendo-se Sócrates como se conhece, está a fazer o papel dele e a vitimizar-se, como é seu hábito, em vez de olhar para as coisas como deve ser e procurar um entendimento. Como dizia um economista, Sócrates "foi uma desgraça para o país". Neste caso, faria, provavelmente, o que está a fazer PPC. Tentar melhorar uma coisa tão má e dificil de ser melhorada, quer pelo conteúdo, quer pelos negociadores. Mas é dificil e penalizável politicamente. Mas um transmontano que se preze é honesto e trabalha para o bem.
E termino com uma pergunta, feita em Setembro deste ano, num debate na RTP N, por Bagão Félix (nem a propósito, ministro das finanças de Santana Lopes...): "Será que Sócrates quer mesmo o Orçamento aprovado?" Comungo desta preocupação.
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