segunda-feira, 25 de junho de 2012

AUSTERIDADE

Independentemente de ser licenciado em Gestão, na verdade os meus conhecimentos de economia são os mais elementares. Não sou nenhum teórico, aliás, das teorias económicas percebo pouco, e aquilo que domino (ou, melhor dizendo, julgo dominar) advém unica e exclusivamente do senso comum. Esta é a declaração de interesses que julgo ser pertinente fazer.

O Ministro das Finanças disse há dias que, afinal, a execução orçamental deste ano, chegados a Maio, era desapontante face ao esperado, na parte da receita. Diz que a despesa está sob controlo e que, essencialmente, o buraco está na parte da receita (leia-se cobrança de impostos).

Face a isto, vem a esquerda mais radical dizer que vai haver mais medidas de austeridade e que "vai cair o Carmo e a Trindade". Por sua vez o Governo diz que vai fazer aquilo que tem que fazer. O PS espera para ver. E eu acho, honra lhe seja feita, que faz muito bem.

Por dois motivos: primeiro, porque estamos no limite da austeridade. Aliás, já ultrapassámos esse limite (recordar definição da curva do teórico de que não sei o nome que diz que a partir de uma certa altura um aumento de impostos é uma diminuição de receita...). O que leva a que mais impostos não dê em nada, senão em mais sarilho, como aconteceu na Grécia, onde se chegou ao que se chegou. Segundo ponto, porque isso poderia por em causa a retoma do crescimento ainda que muito ténue. E porque acredito que a troika fez a avaliação do que correu mal na Grécia. E uma das coisas foi o sucessivo aumento de impostos que levou a um asfixiamento da economia. Se estamos no limite, no limite deveremos ficar. Se possivel, e inteligentemente, deveremos começar a pensar em baixar selectivamente os impostos. De modo, não a perder receita, mas a subi-la.

Deste modo, alinho na posição de António José Seguro. Mais austeridade não, por favor! Sou contra todo e qualquer aumento de impostos, uma vez que isso não iria resultar em nada, podendo tornar-se, aliás, num grande contra-senso. Deixemos as coisas estarem como estão. Se o défice não for 4,5%, que seja de 5%. Mas que não se relaxe e que seja o mais baixo possível.

Porque não podemos deixar de ter em atenção que o défice de 2011 seria bem mais do que previsto, rondando mesmo os 7% ou mesmo mais. Pelo que temos que ter esse pormenor em consideração. É diferente baixar de 5% do que de 7% ou de 9%. E isso tem que ser considerado. E penso que a troika terá isso em consideração. Levará mais em consideração o cumprimento do plano de reformas do que o défice no final do ano, desde que, como referi, não exista relaxe, apesar de se saber que não se atingirá o previsto.

Mas não se pode matar o doente com a cura. Isso seria "borrar a escrita".

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