Os argumentos de Camilo Lourenço (ver artigo de opinião no site do Jornal de Negócios) são válidos e, em condições normais, eu concordaria com eles. Porque é do mais elementar que quanto mais défice mais juros, e quanto mais juros mais défice.
Contudo, este é um caso excepcional. E nestes casos não podemos, penso eu, estar agarrados que nem um íman aos livros de teoria. Não podemos ter mais impostos. Já ultrapassámos aquela curva dos impostos, em que mais impostos vão causar menos receita. Ainda para mais, temos desemprego mais alto do que o esperado, logo menos consumo, menos receita e mais prestações sociais.
Pelo que continuo a pensar que a solução ideal é aquela que defendi. Dizer que é para cumprir e fazer tudo para isso. Mas, caso não se alcance a meta, não entrar em pânico. Afinal, no ano passado, com aquela receita tivemos uma melhor prestação do que o previsto. E pode dar ela por ela. Mas em 2013 temos que dar o litro outra vez e fazer com que o défice baixe para 3%.
E depois não podemos, de modo algum, relaxar. Porque temos que fazer diminuir a dívida e criar super-avits primários constantes durante, pelo menos, os próximos 10 a 15 anos. Para colocarmos a nossa dívida num padrão sustentável. E concordo com a ideia de Miguel Cadilhe. Chegar a Dezembro e fazer um imposto especial sobre o rendimento, que não entre no Orçamento de Estado, cobrado de uma só vez, que abranja os mais ricos e direccioná-lo directamente para a dívida pública. Era uma forma inteligente de a amortizar, diminuindo deste modo os juros a pagar no futuro.
Mas mais impostos não. Se for mesmo para cumprir, então corte-se na despesa. Aí sim, pode haver muita coisa para cortar. Com coragem, mas corte-se. Mas mais impostos é matar o doente com a cura. E aí, sim, entraríamos no caminho da Grécia. O que não é o que pretende, pois não?
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