Cansa ouvir Seguro dizer que é preciso mais um ano, e a insistir e a criticar o Governo por isso, quando foi Sócrates (e só ele e o seu Governo) que negociou o acordo. É intelectualmente desonesto, na minha opinião, apesar de eu ser favorável a esta ideia.
Contudo, não pode ser o Governo a pedir. Isso retira credibilidade a quem está a efectuar um reajuste. Porque é isso que se está a passar. Um reajuste. Um reajuste do consumo às nossas possibilidades, nem que para isso tenha que haver um empobrecimento. Porque estavamos a viver acima das nossas possibilidades.
É a mesma coisa que alguém que tem uma mansão de luxo e um Mercedes topo de gama e que ainda os estão a pagar ter visto as suas fontes de rendimento cairem. Isso obriga a um reajuste, de modo a se conseguir viver, certo? Para isso, vende a casa que tem, compra uma mais modesta e em vez do Mercedes, compra um Volkswagen. São mais baratos, menos dispendiosos e pode voltar a fazer a sua vida na mesma. É exactamente o mesmo processo pelo qual estamos a passar.
Contudo, ainda falta uma coisa muito importante. É preciso mais do que nunca retirar toda aquela gente que se serve do Estado e não serve o Estado. Do mesmo modo, é preciso anular os contratos leoninos que foram feitos, sempre em benefício dos amigos e nunca em benefício do contribuinte. Além daquilo que o actual Governo está a fazer, ao combater alguns interesses instalados, nomeadamente nos médicos (não nos mais novos, mas nos mais velhos...) e nos juizes. Depois de isto tudo posto no sitio, acredito que poderemos ter um país melhor.
E é no final da legislatura que vou decidir em quem voto. Depois de ver se isto tudo foi feito. Mas não podemos mais estar numa política de gastar, gastar e gastar. Os próximos 10 anos vão ter de ser em super-avit primário (pelo menos...já para não falar em super-avit orçamental, que seria o ideal). Deste modo conseguiremos abater a dívida, uma vez que estaremos a ter menos necessidade de pedir dinheiro emprestado. E concordo com a ideia de Cadilhe de taxar a riqueza e mandá-la para a dívida. Isso seria inteligente. Abatia-a e diminuia os juros a pagar.
Tudo o resto, das greves às manifestações, são consequências do ajuste que estamos a fazer. Não há por onde fugir. E ao falar dos juros e dos usurários, é lembrar que ha vários países em que os investidores pagam juros negativos, ou seja, os investidores ainda pagam juros, em vez de receber. Não deve ser engano. Então porque não seguir o mesmo caminho? Será que não podemos fazer o mesmo?
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