domingo, 21 de dezembro de 2014

AI AS PRESSAS, O QUE DÃO AS PRESSAS...

Se a minha professora de Matemática do 10º ano (Ana Paula Cordeiro, já agora) lesse esta frase, talvez se lembrasse daquilo que me lembro agora. Esta frase foi um comentário que fez num teste de Matemática (o primeiro do 2º Período) em que fiz uma simplificação à pressa e que saiu, obviamente, mal. Como não podia deixar de ser.

Lembrei-me disto a propósito das notícias que tenho vindo a ouvir nos últimos dias. E lembro-me daquilo que aconteceu no Verão passado (como no título do filme). Uma pressa enorme de Mário Soares contra Passos Coelho e António José Seguro, no sentido de os demitir e de preferência o quanto antes. Parecia que adivinhava. Em Novembro desse mesmo ano começavam os problemas no BES (afinal o banco do regime nos últimos tempos). E depois Seguro até ganha as Europeias e Sócrates vai preso.

O que é que isto tem de especial? Tudo. É tudo novo em Portugal. E estranho. Estranho que se tenha deixado cair um nome tão sonante do nosso meio. Ninguém esperava que o "dono disto tudo" fosse deixado cair com estrondo e sem espinhas. E depois ninguém esperava que houvesse um juiz com a "desfaçatez" de mandar prender um primeiro ministro. E tudo figuras tão próximas de Mário Soares (o considerado "pai" da democracia - para mim não fez nada, se não fossem os militares nunca teria mudado nada, e tem apenas o mérito de ter ajudado a encostar Cunhal a um canto...).

Agora chegamos à conclusão que todos os "grandes centros de decisão nacional" são apenas e só grupos de papel que aguardaram e aguardam a rajada de vento definitiva que os fará ruir com estrondo. E até lá pagamos todos nós a factura de termos tido gente incompetente que nos governou e que não teve coragem de os pôr no sítio. Ora, quando apareceu alguém com essa mesma coragem, e face a essa derrocada dos grupos, importava correr com essa pessoa o mais rapidamente possível. E vêm de todos os lados. O "status quo" português tem que imperar e, com razão ou sem ela, se há alguma coisa que o prejudique, essa coisa terá mesmo que ser removida, custe o que custar. Mas desta vez não foi. Honra seja feita a Pedro Passos Coelho e a Cavaco Silva que, mesmo face à indecente cena "irrevogável" (e a desfaçatez - agora sem aspas - de vir citar Sá Carneiro 20 dias depois), resistiram à mudança que tinha sido começado em 2011, feita na medida do possível e exigida por entidades externas.

Esta enorme pressa fez desconfiar o mais inocente dos cidadãos portugueses que acompanha a actualidade portuguesa. Era notório que alguma coisa estaria para explodir. Não se esperava que fosse tão forte. No meio disto tudo, apenas tenho pena que António Costa tenha feito o frete a Soares e tenha querido despachar Seguro apenas porque lhe cheirava a poder. Resultado: temos o PS com as mesmas caras que levaram o país à falência em 2011. E um líder parlamentar que elogia um Primeiro-Ministro que é suspeito de crimes e graves.

A coragem dos principais intervenientes, e a demonstração de grandeza de Seguro que, percebendo que não teria hipótese face a uma máquina oleada para o "destruir", independentemente da qualidade das ideias (que não eram sequer diferentes, bem pelo contrário), mas simplesmente por uma suposta "qualidade" pelo homem em si, são novas formas de fazer uma política que deixa o "status quo" abananado e fora do seu "habitat natural". Desta forma, tratou-se de fazer tudo o que fosse possível para encontrar falhas, mesmo que elas não existissem, mesmo à moda dos partidos da extrema-esquerda (aquela do "ir para além da troika" ou dos "piegas" são exemplos incríveis).

Deste modo, mais importante que tudo, é imprescindível que esta mudança não se perca no meio de todas estas "tramoias" que vão ocorrendo na nossa cena política. O facto de termos meios de Comunicação Social completamente domesticados por este "status quo" (as cenas que fizeram a Álvaro Santos Pereira - para depois se descobrir que afinal até tinha razão, mas sempre à posteriori) não vai ajudar nada a que Portugal se cure de 40 anos desta "cambada" (acho que tudo isto que descrevi não tem outro nome decente que se escreva - o que me apetece dizer é algo bem pior) que nos governou com olhos na sua barriga e nos seus bolsos e não nos interesses do povo que lá os colocou.

Quer isto dizer que Passos Coelho fez tudo bem? Não. Bem pelo contrário. Mas por diversas razões, umas por culpa dele e outras por culpa de outros intervenientes, as coisas não foram todas bem feitas. Passos Coelho neste momento parece-me ser o menos mau. E, se as coisas continuarem desta forma, terei que votar no menos mau dos candidatos. A outra hipótese é não me rever em nenhum. E aí tenho razões mais que fortes para duvidar do futuro do Portugal de que eu tanto gosto. E a coisa vai ser mesmo negra.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

Os últimos dias têm sido marcados pela comissão de inquérito sobre a derrocada do GES, a prisão de José Sócrates e a privatização da TAP. Quanto aos primeiros dois temas quero deixar o tempo rolar, de modo a que se possa compreender melhor a responsabilidade dos envolvidos. Quanto à TAP, penso que posso dar desde já a minha opinião.

Comecemos pelo princípio. A TAP quando nasceu não era uma empresa pública. Era uma empresa com capitais públicos. Foi fundada em 1945, por Humberto Delgado. Ela foi nacionalizada naquele corropio devaneista que assolou Portugal após o golpe militar que pôs fim ao "fascismo" (valha-me Deus!). Assim sendo, não era o Governo que governava, apesar de ser o Governo o accionista.

E podiamos ficar aqui a discutir este ponto. A diferença é que seria na mesma governada em função de critérios comerciais e não em função do mero interesse público "per si". Pois bem. Ao que parece, até 1974 nunca tinha havido problema.

Adiante. Agora discute-se a possibilidade de privatização. E o seu valor estratégico. Ouvem-se argumentos do tipo "a TAP é minha" ou "a TAP é tão importante como as caravelas". Ou outros assim. Outros dizem que, com a dificil situação financeira da TAP e com a impossibilidade de capitalização pública (decretada pelas leis europeias) seria ideal a entrada de um investidor privado que assegurasse a capitalização necessaria. Outros dizem que o ideal era só fazer um aumento de capital em bolsa que limitasse a entrada de privados a 49%.

Com tantas opiniões, eu também posso dar a minha. Eu não compreendo porque é que a TAP ainda é pública e porque é que os meus impostos ainda têm que aguentar com ela. No tempo da Ryanair, ou de outra companhia qualquer que pode fazer tanta coisa, ainda não percebi porque é que a TAP ainda é pública. Ainda para mais, porque ainda por cima dá prejuizo. E não pode ser capitalizada por entidades públicas. Aqui há dias, o presidente da TAP veio dizer que teve que fazer um lease-back de quatro aviões. A justificação "oficial" era para dar fôlego à tesouraria. Ou seja, não há dinheiro.

Segundo ponto. As greves. É incrível a quantidade de greves que os funcionários da TAP fazem. E da importância que eles sabem que têm e que usam a seu favor. Pensa-se que o Estado não deixará cair a TAP e, mais prejuizo, menos prejuizo, a coisa lá vai andando.

Em resumo. Por mim, privatize-se. Por mim, é indiferente. Mas de preferência, toda. E o status quo da estupidez portuguesa que vá, de uma vez por todas, abaixo de Braga. Ou a outro sítio qualquer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

LICENCIADOS A MAIS?

Angela Merkel disse que temos licenciados a mais.

E pronto. Vem o caos, cai o Carmo e a Trindade e a alemã continua a mandar bitaites sobre Portugal. Porque raio não se dedica ela à Alemanha?

E agora vamos ver se confere ou não o que ela disse.

Convém contextualizar a afirmação. Ela disse isso numa reunião na Alemanha, onde se discutia a formação profissional. Onde se discutiam as vantagens da formação profissional face a uma licenciatura. E depois até comparou Portugal e Espanha que, segundo ela, têm muita gente com "canudo" e que têm taxas de desemprego elevadas face à Alemanha. O que é verdade.

Pelo que me apercebi, ao que parece, em proporção, temos tantos estudantes no Ensino Superior como a Alemanha. A questão está na oferta que existe. E na oferta que NÃO existe. A reforma de Veiga Simão, além de massificar o Ensino Superior (e principalmente na vertente mais técnica - com os Institutos Politécnicos) dava uma importância enorme a formação de técnicos que pudessem ser importantes, mesmo que não tivessem formação superior. O mesmo que acontece na Alemanha.

No nosso caso, dos desempregados, a maioria é jovem. Ou seja, faz parte da geração mais bem preparada de sempre, como se costuma dizer. Fora todos aqueles que já saíram. E será que, a maioria deles, com o canudo que não lhes adianta de muito, se tivessem uma formação profissional, não poderiam ter um emprego em Portugal? Não se discute a qualidade da formação (afinal, se vamos lá para fora e damos cartas é porque somos bons e a nossa formação é boa, ponto final) mas sim se a oferta de formação é a mais adequada.

E nesse aspecto, entre aquilo que formamos e aquilo que empregamos, estamos a ter muitos problemas. E é nisso que nos devemos focar. E nesse aspecto, ao não conseguirmos empregar muitos dos nossos formados, acabamos por nos confrontar com um excesso de licenciados. Pelo menos em algumas áreas. E falta deles noutras. E outros que dificilmente irão encontrar trabalho nas áreas em que se licenciaram. Então sim, temos licenciados a mais.

Agora temos duas hipóteses: reclamamos com Merkel ou resolvemos o nosso futuro. Eu prefiro a segunda.

A BRIGADA DO REUMÁTICO... PERDÃO, DOS RESGATES

Esta semana foi notícia a tentativa de compra da PT (que pertence à Oi) por parte de uma série de empresas. É uma empresa apelativa, com uma boa implantação em Portugal.

Ora, os "manifestos" não se fizeram esperar. São sempre os mesmos, as mesmas pessoas, que cada vez menos influência têm no país, felizmente!, e que insistem em querer dar a sua opinião sobre tudo. São as eminências pardas deste país que se autorizam a dar opiniões sobre tudo. E insistem que toda a gente os siga.

Esta semana insistiram que o Estado deveria comprar a PT. Valeu tudo. Trocar as PT's em questão (Freitas deu um espectáculo deplorável, no mínimo) ou então dizer que o Estado deveria incentivar empresários portugueses, através da CGD ou pelo Novo Banco, ou então aproveitar os excedentes da renegociação dos juros para comprar os 33,34% da PT. Presumo que seja para criar mais uma "Golden Share" com tudo aquilo que se conhece.

Se há coisa que se noticiou por estes lados foi o efeito da intervenção estatal nas empresas públicas, das quais a PT e a EDP foram os casos mais conhecidos. A contínua destruição de valor, por meros interesses e negociatas é algo por demais conhecido. E algo que é para evitar a todo o custo.

Se há algo que a Troika trouxe a Portugal, e não Pedro Passos Coelho (que se limitou a ir a reboque), foi uma mudança nas bases, por assim dizer, do regime. Em que as mesmas pessoas de sempre se autorizavam a mandar os bitaites de sempre e toda a gente os ouvia com toda a atenção e reverência. Aos poucos a coisa foi mudando e agora é vê-los a espernear. E a escrever manifestos por todo e qualquer assunto.

Faz lembrar a parte final do regime de Marcello Caetano. Com as tropas a rebeliarem-se, não seriam os Generais a garantir que tudo continuaria bem. Como não continuou. E estes imitam essa brigada na perfeição.

sábado, 18 de outubro de 2014

FC PORTO 2014/15

A exibição de hoje do Porto é o espelho de tudo aquilo que tem feito esta época. Tudo aquilo que hoje é criticado já existia há 3 meses, há 1 mês ou há 20 dias. Está tudo lá. Há 3 meses ganhou, hoje perdeu.

As perdas de bola em fase defensiva, na chamada primeira fase de construção, foram responsáveis por inúmeros calafrios e, pelo menos (porque foi o que eu vi), um golo. O segundo, uns minutos após o golo do empate. É, no mínimo, suicida esta forma de jogar. Brahimi já tinha perdido uma bola assim, Oliver também e hoje foi a meias entre Casemiro e Maicon. Além dos já referidos inúmeros calafrios.

Aquela forma de jogar, de passes sucessivos, obriga a que exista uma coisa a que eu chamo criatividade. Ou seja, não basta fazer passes para o lado e para trás, mas importa fazê-los em progressão. E isso implica entrar pelas defesas adentro. E Xavi e Iniesta faziam, com Guardiola, como ninguém essa progressão. O Porto para isso tem Herrera, Casemiro e Ruben Neves. Nenhum o faz.

Não há duas equipas iguais. Nem um treinador deveria ter uma só forma de jogar. E Lopetegui só joga desta forma. Hoje o Porto teve Quintero. Era o único que trazia algo de diferente ao jogo. E foi dele o passe que deu o golo a Jackson, o eterno "abono de família" da equipa. Mas quanto a ele já lá vamos. Nos extremos tínhamos Adrian (quem? quanto custou? 11 milhões por um suplente o Atlético de Madrid? porquê?), que raramente joga, e Oliver, mais um criativo. Ou seja: extremos nem pensar. Nem Guardiola o fazia.

O mais cómico no meio disto tudo é que as primeiras partes dos jogos do Porto são quase sempre deprimentes. Com o Braga e em Alvalade isso ficou mais que comprovado. Mas em ambos os casos, as segundas partes trouxeram uma dupla substituição (como hoje). Depois não se tem senão mais uma alteração para poder trazer algo de novo ao jogo. E por norma as alterações são sempre as mesmas. Sai um médio (por norma o que joga pior - ao menos isso!) e um dos "extremos", por um dos extremos puros. Depois ou se mete mais um extremo ou um Ponta de Lança e nunca os dois, porque só se pode fazer uma alteração.

A última questão de forma prende-se pela rotatividade. Sim, faça-a, por favor. Tem plantel para isso, então faça-a. Mas não abuse dela. É a mesma coisa que comer laranjas porque são fonte de vitamina C. Mas se comer laranjas a mais apanho um excesso de vitamina. E essa rotatividade é um abuso. E tudo o que é demais é moléstia, já dizia a minha avó.

A questão do conteúdo é a mais grave. Lopetegui insiste numa forma de jogar quase suicida, que complica a saída de jogo que deveria ser simples. Resultado: Óliver, Brahimi, e Casemiro já cometeram três deslizes e com duas delas o Porto não ganhou o jogo.

Eu não sou ninguém para dizer isto, mas Lopetegui é demasiado arrogante na preparação dos jogos. A rotatividade sem nexo demonstra que acredita que qualquer um serve para ganhar. Mas não chega. E volto à questão dos extremos. Joga sem extremos. Sem ninguém que tire um coelho da cartola e que faça a diferença. Depois queima uma substituição e mete Tello. E o Porto é outra equipa. E o futebol, ao fim de 3 meses é pouco menos que inseguro. Há muita incerteza ainda na forma como se joga. E, para disfarçar a incompetência, Jackson tem marcado muitos golos e tem disfarçado todos estes problemas. Menos mal.

Mordo a língua cada vez que vejo um jogo do Porto. Vítor Pereira é muito melhor que todos aqueles que o substituiram. E hoje todos os adeptos do Porto já devem ter saudades daquele indivíduo que lá ia fazendo o seu trabalho com um plantel extremamente reduzido. Com este plantel, Vitor Pereira ganharia o campeonato ainda com mais pontos e com um futebol bem melhor. Critiquei-o. Mas é bem melhor do que todos os que o sucederam. Lopetegui é outro Jorge Jesus, mas com uma grande diferença. Percebe bem menos de futebol.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

GOSTAR DAQUILO QUE SE FAZ

Acho que é uma coisa banal na vida de qualquer adolescente. Afinal, no sistema educativo português é aos 17 anos, se tudo correr pelo normal, que se decide o que se vai fazer no futuro. Pelo que é nesta altura que se espera escolher o que se pretende fazer para o resto da vida.

À partida escolhe-se uma carreira, digamos, tradicional e nesse caso as coisas correm de acordo com o previsto. Nascem os professores, engenheiros, economistas, gestores, designers e outros assim. Ou então escolhem-se carreiras artísticas e então surgem os músicos, os compositores ou os pintores. Neste caso, das duas uma: ou se conta com o apoio familiar (sim, este é extremamente importante, no sentido de dar alguma estabilidade a uma vida que é bastante incerta) ou então abre-se uma guerra intra-familiar no mínimo muito forte porque é difícil compreender como se pode apostar numa vida assim.

É, assim, da mais elementar lógica, que as famílias tenham um papel importantíssimo. Elas podem ser (des)incentivadores da prossecução deste tipo de vida. No caso de serem desincentivadores, contribuem para que os futuros adultos possam ter uma vida menos feliz. Afinal, não seria exactamente aquilo que era o idealizado, mas seria sempre um plano B. O que não é mesmo o ideal.

A questão prende-se exactamente neste ponto: gostar daquilo que se faz vs não gostar mas ter uma vida (mais) estável. Ora bem. Não sei bem o que dizer sobre isto. Eu sou um daqueles que supostamente teria tudo para ser um clarinetista bem sucedido, mas que pressões domésticas induziram a que fosse seguida uma outra via. A menos má.

Ora bem, a minha geração diz que eu sou um estúpido, a geração dos meus pais diz que eu sou um génio. No meio disto tudo, não desgosto daquilo que faço, mas também não é o meu emprego de sonho. E agora?

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

OS (EM)BUST(O)S QUE TEMOS QUE ATURAR...

No início de mais uma sessão legislativa tivemos um exemplo de algo que jamais deveria acontecer.

Nas comemorações de não sei bem o quê, a Assembleia da República decidiu expôr os bustos de todos os chefes de Estado da República. Incluindo todos aqueles que pertenceram ao Estado Novo.

Até aqui nada demais. Afinal, foi uma fase da nossa história que, gostemos ou não, devemos registar. Ora, determinados partidos na nossa AR pensaram que seria útil fazer um salto em frente na história e não expôr os bustos do tempo do "fascismo". Escrevo com aspas, pois, como é bom de ver (e de insistir), o regime de Salazar e Caetano seria tudo menos Fascista. Basta compará-lo com o de Mussolini e ver as diferenças.

Quanto a isto, apetece-me dizer duas coisas simples. Primeira, que branquear a nossa história não é do interesse de nenhum português. Mesmo que a história não seja do nosso agrado. A nossa história é essa mesmo. É Salazar e Cunhal. É Leonor Teles e Nuno Alvares Pereira. Todos eles contribuíram para a nossa história e não seria correcto saltar um período, apenas porque é mau e recente.

A segunda coisa simples que me apetece dizer é que, seguindo o mesmo raciocínio, também não poderíamos ter os Chefes de Estado da Primeira República, uma vez que, como líderes, foram coniventes com Ditaduras e Fraudes de Governos essencialmente de Esquerda. Mas neste caso ninguém se levantou contra isso. Pergunto-me porquê...

Posso ainda dizer uma terceira coisa: o PCP deveria ser o partido que mais calado deveria estar nesta matéria, uma vez que os únicos Governos Comunistas que hoje sobrevivem governam em Ditadura, e têm países muito poucos desenvolvidos. Rússia, China (apesar de todo o crescimento, continua com um povo muito pobre, sendo a riqueza para as elites), Coreia do Norte e Cuba são os exemplos mais concretos.

Por outro lado, apesar de ainda não dominar bem essa matéria, após o 25 de Abril de 1974 até fins de Novembro de 1975 Portugal esteve em risco de se tornar numa nova Ditadura. Desta vez, de esquerda. Dizem os registos que estivemos a curta distância de nos tornarmos numa Cuba europeia. Ora, não creio que seria bonito começarmos a seleccionar também este período da história, aliás, muito fortemente ligado ao Partido Comunista.

É mais uma das razões para eu não gostar dos partidos de esquerda. Moralistas, mas só para aquilo que lhes convém.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A CONFIANÇA

Não. Não é sobre futebol que vou falar. Nem sobre política. É sobre o sistema financeiro em Portugal.

Estamos com um sistema financeiro em pantanas. Não há ponta por onde se lhe pegue. A crise que está cada vez mais instalada na Europa também não ajuda, é certo, mas que raio!, não há certeza nenhuma sobre como é que as coisas vão evoluir nos próximos meses e anos.

Toda a gente sabe que todos os anos eu ganho uns dinheiritos com aquilo que faço nas Bandas Filarmónicas. Muito ou pouco, isso é comigo. A questão está no uso que faço ao dinheiro. Posso dizer que sou um felizardo, uma vez que tenho uns pais que me permitem ir aforrando todo esse dinheiro, sendo da responsabilidade deles o "financiamento" das minhas despesas mensais. Eu também sou um indivíduo poupadinho, o que ajuda bastante.

Voltando ao assunto, gosto então de aforrar o dinheiro (senão todo, pelo menos algum) que vou fazendo nas bandas. Quem sabe se um dia destes não me poderá ser útil? Contudo, nestes últimos tempos as aplicações disponíveis são um pouco acima do insuficiente: baixas taxas de juro e, aquelas que têm uma taxa de juro interessante é porque os bancos são de menor fiabilidade. Quer dizer, presume-se. O BES foi o que se viu e não se sabe o que pode acontecer aos outros.

Por outro lado, o Estado, numa tentativa de captar poupança interna criou mais um produto interessante, em Novembro passado: os Certificados do Tesouro Poupança Mais. São um produto interessante, com taxas extremamente simpáticas para os aforradores. Mas que raio!, não é que já apareceram ideias de reestruturar a dívida pública? E então as minhas poupanças para onde vão? Para o tecto? Pelo menos esta era a ideia do Dr. Louçã. Parece que, para ele, eu era muito rico.

Pelo que não há confiança que resista no nosso sistema financeiro. Quem quer ser poupadinho está tramado. E agora, que fazer?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

AS PRIMÁRIAS DO PS

Acabou o processo eleitoral mais "personalista" que me lembro. Em nenhum outro me lembro de ver o principal argumento ser "a minha sondagem é melhor que a tua", ou então "ou sou o melhor para concorrer com Passos porque as sondagens dizem isso", sem que se tenham visto grandes diferenças ideológicas entre eles. Não me lembro de nenhuma diferença substancial entre Seguro e Costa. A não ser a qualidade da imprensa: Costa tem melhor imprensa, bem mais tolerante, do que Seguro tinha, que não perdoava nada que corresse menos bem.

Mas adiante. Ganhou António Costa. Ganhou o regresso do socratismo ao PS, face a uma nova ala que pretendia renovar, sem o fazer de forma drástica (graças a um grupo parlamentar extremamente hostil), um partido histórico.

Ganhou o regresso do socratismo. O regresso das "eminências pardas" que têm guiado o regime nos últimos 40 anos. Os resultados são os que se conhecem. 3 bancarrotas deveriam ser mais que sinal de alerta para que tal se evitasse.

Passemos à fase seguinte. Costa diz que temos que abrandar a austeridade. E baseia-se num argumento falacioso. Diz que a austeridade era para controlar a dívida, mas que não resultou - temos mais dívida. O défice, diz, também era maior. Esquece-se é de dizer muita coisa. Repare-se:


  • O défice original era de 4,6% para 2011. O défice em Junho transposto a Dezembro seria quase 8%. Ou seja, quase o dobro. E passar de 4,6% para 3% é diferente de passar de 8% para 3%. Culpa de Passos que "prometeu" que não iria culpar o antecessor. Devê-lo-ia ter feito. Uma comunicação ao país seria mais que suficiente para explicar o que se passava.
  • A Dívida. Ora bem. Das duas uma: ou Costa mente de propósito ou então Finanças Públicas não constou da sua formação. Nem das suas leituras. Mesmo enquanto Ministro ou Deputado. Como é que seria possível baixar a Dívida com um orçamento com saldo primário (antes de juros) negativo? Não dá.
  • A Dívida (parte 2). Costa esquece-se de mencionar aquilo que Sócrates mencionou na campnha eleitoral de 2011: uma alteração metodológica da Comissão Europeia fez com que a nossa dívida tenha aumentado mais ou menos 20% a mais que o previsto.
  • A despesa pública. Santos Pereira, ainda enquanto professor no Canadá, explicou no seu blogue (Desmitos) que os juros incomportáveis a que Sócrates, na sua desesperada fuga para a frente (não critico Sócrates, ainda não havia nada seguro pela frente, mas poderia ter feito as coisas de outra forma) resultaram num aumento da despesa equivalente a mais 3.000 milhões de euros por ano. É o equivalente a um TGV por ano em juros. Ah!, quem dera termos sido poupadinhos...
Por isto, concluo que, a menos que António Costa mude de ideias e comece a apresentar alguma coisa que se aproveite, vou ter de votar em Pedro Passos Coelho. Não porque ache que ele seja o melhor, como há 4 anos, mas porque acho que é o menos mau. E isto não é bom sinal.

domingo, 28 de setembro de 2014

BENFICA 2014/2015

E tudo corre bem para os lados da Luz. 4 pontos sobre o Porto e 6 sobre o Sporting são uma boa margem de manobra para a época, ainda longa, que se avizinha.

O maior reforço, além da estabilidade que acontece todos os anos com a permanência de Jorge Jesus (nunca mais o Benfica terá um período assim quando Jesus sair), chama-se Enzo Perez. Exactamente por não ter saído. Jesus, com todas as suas virtudes e defeitos, gosta de tentar "inventar" jogadores, pondo-os a render onde ninguém imaginaria que eles rendessem. Fez com Coentrão, que era extremo, fez com Perez, que era extremo, com Matic, que era um médio centro mais ofensivo e transformou-o no sucessor de Javi Garcia. Por outro lado potenciou activos do clube de uma forma quase "assustadora" (no Porto então batia os recordes de vendas!). Potenciou Oblak, David Luiz, Garay (que chegou à Luz "acabado" para o futebol), Javi Garcia (foi dispensado pelo Real Madrid!), Witsel (40 milhões, num prazo de um ano?), Di Maria (o tal que nunca mais explodia...), Rodrigo, André Gomes, Markovic (vendeu por mais do dobro e era pouco conhecido), além de Coentrão. É óbvio que erra algumas contratações, mas as que acerta valem bem por todas as que erra. E pôs o Benfica a jogar um futebol que entusiasma os adeptos (nunca vi os adeptos do Benfica tão satisfeitos com a forma como a equipa joga - mesmo quando perde - até Jesus chegar ao clube). Méritos? Sim, são muitos!

Voltando ao assunto, Jesus gosta de inventar jogadores. E pensou que teria em Talisca um belíssimo médio centro. Não tinha. E Jesus deu a mão à palmatória e reconheceu isso. E contratou (ou mandou contratar) Samaris (internacional grego), para pegar de estaca (e pegou!, joga que se farta!) e Cristante, um jogador para ser o sucessor dele, formado nas escolas do Milan. E mandou Talisca para a posição dele, um jogador a fazer de Rodrigo. E resultou. Tirou partido das suas características, bem mais tecnicista que Rodrigo, e ele marca aos pares e já tem 5 golos.

Definitivamente, a pré-época este ano enganou-me bastante. Esperava bem mais do Porto (se bem que Lopetegui inventa muito e estraga tudo) e muito menos do Benfica. Mas para mim, neste momento, e para mal dos meus pecados, o Benfica prepara-se para fazer uma época ao nível da anterior. Se calhar está na altura de pensar no que é que se fez de bem no Benfica para que as coisas tenham chegado a este nível, não?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

DEBATES DO PS

É deprimente ouvir os debates para as primárias do PS. Parecem aqueles miúdos que estão a jogar à bola e depois zangam-se e vão fazer queixinhas.

Acho que a agressividade entre os dois foi demasiada. Estão os dois a lutar a sério pelo cargo de "presidente de Junta". Estão demasiado engalfinhados e a ideia que trespassa é que têm os dois as mesmas ideias, mas que Costa se considera mais bem preparado. Tem boa imprensa, e uma opinião mais conhecida do que a de Seguro.

Seguro, por sua vez, está a lutar por aquilo que sempre sonhou: ser primeiro-ministro. Está sem nada a perder e então está muito agressivo e a lutar. Isso eleva os níveis de agressividade, que fazem com que Costa também tenha que ser mais agressivo.

Ou seja, têm sido debates com altos níveis de agressividade quer de um lado quer de outro. E, com isto, estão a dilacerar o PS ao meio. A ideia que dá é que eles não se podem ver um ao outro. E com um PSD partido ao meio, um PS partido ao meio e com pequenos partidos (exceptuando a eterna imutabilidade do PCP) a desfazerem-se aos bocadinhos (a história do "irrevogável" de Paulo Portas vai sair-lhe muito cara e o BE não conseguiu digerir a saída de Louçã), a coisa apresenta-se negra para coligações. E a coisa não vai ser nada bonita.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

VERGONHAS

Somos um país de "artistas". É inexplicável a quantidade de coisas sem nexo que vai acontecendo neste país sem que nada aconteça. E sem que ninguém se lembre de dar uma sapatada no assunto.

Na sequência do fracasso do Mundial resolveu-se dar mais poder a Paulo Bento. Portugal perde com a Albânia e Paulo Bento é despedido. Aqui chegados, eu pergunto: mas não se poderia ter "despedido" o senhor seleccionador nacional antes de termos perdido os três pontos que, quase obrigatoriamente, teríamos que ganhar a uma selecção tão fraca como a Albânia? Resultado: agora, outra vez, vamos ter de correr atrás do prejuízo. E vamos ver como a coisa corre.

Umas semanas depois, Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, deu início à sua "emblemática" reforma. A plataforma estaria, segundo se previa, em condições para que tudo se iniciasse sem problemas. No dia, a plataforma crashou. À portuguesa. Agora está tudo parado. E nada anda. E ninguém sabia? Ou toda a gente sabia e nada se fez? E agora? Demissões? Nem vê-las. Responsabilização? Pelos vistos não existe.

Uns dias depois concluiu-se que a colocação dos professores também não tinha sido bem feita. Acontece que o Ministério da Educação tem um ano para preparar todo este processo. Não tem gente? Contrate! Não há dinheiro? Poupe-se nas compras, que andam a deslizar! Se não tivessem deslizado, o défice seria de 3.3% em vez de 4%. E a coisa seria resolvida com pinta!

Passos Coelho foi acusado de ter recebido dinheiro da Tecnoforma enquanto deputado. Afinal, não era deputado em exclusividade. Uma vergonha! Pelo deputado, hoje primeiro-ministro. Que raio! Então os deputados não o deveriam ser em exclusividade? Como raio hão-de defender os nossos interesses quando podem ter que defender interesses de quem lhes paga? Uma vergonha! Como raio um jornal publica uma notícia assim, sem sequer ter a certeza que não está a enfiar um barrete? Como pode um jornal basear-se em mandar tiros para o ar e jogar no "se acertar, que bom!, se não acertar, paciência!"? A vida das pessoas já não merece respeito?

Seguro apareceu a defender a redução do número de deputados. Agora aparecem os apoiantes de Costa dizer que é populismo e que a proposta não deveria ser feita nesta altura. Um deles é Jorge Lacão, ex Ministro dos Assuntos Parlamentares de Sócrates, que, na altura, defendeu... a redução do número de deputados. Pois, então! Haja honestidade intelectual! Ou então não...

São pequenos exemplos de como o país está. Uma vergonha!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

VEDETAS

Estou a ver (abençoados streams) os jogos do Porto e do Sporting de hoje da Liga dos Campeões. Mais o jogo do Sporting, que o do Porto, a partir dos 5 minutos se percebeu que iriam ser favas contadas.

Ao ver o jogo do Sporting (não só o de hoje, mas também o do campeonato no fim de semana passado) lembrei-me de uma frase de Costinha (campeão europeu com o Porto, ex director desportivo do Sporting e ex treinador do Beira-Mar e do Paços, em todos os lados sem sucesso). Ele dizia que um jogador tinha nas mãos o poder de fazer de um treinador um Mourinho ou um azelha qualquer. Ele pelos vistos teve azar.

Mas não deixa de ter razão. Estou a ver William Carvalho a jogar. Nem parece o mesmo da época passada. Mas para bem pior. Não sei se é uma questão das funções que o treinador o pôs a fazer (que são sensivelmente as mesmas) mas mesmo naquilo que era forte no ano anterior este ano não o parece ser.

E levanta-se a questão. É falta de qualidade, ou birra por não ter saído? E como se adivinha a solução desta pergunta? E como se pode comprovar isso? Uma coisa é certa: William não está a demonstrar a mesma qualidade que tinha há um ano. E com grandes consequências para o Sporting.

Pelo processo inverso temos Nani. Um jogador que passou de detentor no melhor número de assistências para golo da Premier League em dois anos seguidos a proscrito, primeiro por Ferguson, depois por Moyes e finalmente por Van Gaal. Parece ter descoberto em Alvalade o caminho para voltar a ser determinante como dantes. Hoje mais um (bom) golo e foi o jogador em maior destaque no Sporting. E que pode ajudar a que Marco Silva possa fazer uma boa campanha em terras de Alvalade.

E existem mais casos onde isto se pode demonstrar. Qual a melhor solução? Não sei. Qualquer uma terá sempre muitos prós e muitos contras. Mas para o evitar nada como ter um plantel equilibrado, com duas alternativas a sério por cada posição. Que o dia Quaresma, que teve que fiar bem fininho com Lopetegui...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

BENFICA X ZENIT

Na minha estreia como espectador de jogos de futebol ao mais alto nível (os jogos do Bila e do Cumieira não contam...) o Benfica perdeu em casa com uma equipa russa que pouco fez para ganhar o jogo.

Foi um jogo equilibrado que uma exibição paupérrima de Jardel (a jogar assim, nem no distrital tinha lugar...) e com uma frieza quase italiana (típica do clima soviético, se é que me entende). Villas Boas consegue tirar o melhor partido de Hulk (só jogou mesmo bem no Porto com ele e volta a jogar bem na Rússia com ele) e de Witsel (um médio de grande categoria e que melhorou no jogo de cabeça), para mim os melhores do Zenit.

Do Benfica, estranhei a colocação de Samaris de início (não pela qualidade que, viu-se, está lá) mas por ser novo, num jogo tão importante (como é o primeiro jogo da Champions) e depois por ter jogado na primeira parte tão junto aos centrais. Está bem que Jardel não sabe sair com a bola, mas na segunda parte demonstrou-se que, mais à frente, tem mais influência e pode dar mais qualidade à equipa no processo ofensivo. Estranhei a fadiga de Enzo Perez e confirmei a falta de confiança de Lima, que precisa de marcar com urgência ou então ir para o banco uns jogos. Derley não me pareceu ser grande alternativa e pode abrir-se a oportunidade (assim Jesus queira) de Nelson Oliveira poder justificar a tão reclamada utilização.

No fim, a reação dos adeptos foi de saudar, manifestando o seu apreço por uma equipa que jogou mais de 3/4 do jogo com menos um jogador em campo. Artur, para mim, foi mal expulso e notou-se uma diferença de critérios nas amostragens de cartões. O Benfica pode também queixar-se um penalty, algo forçado, sobre Enzo.

Quanto à Champions, com a vitória do Mónaco (a equipa mais fraca do grupo e dizem os resumos que levou uma lição de futebol em casa), a coisa pode ter-se complicado mais um bocadinho, mas penso que o Benfica, ganhando os jogos que faltam em casa e mais um dos jogos fora, empatando o outro e podendo perder mais um poderá passar à fase seguinte. Assim a sorte também queira alguma coisa com o Benfica.

sábado, 13 de setembro de 2014

NOSSA SENHORA DA PENA

Amanhã terminam as minhas festas relativas à época 13-14. Foram 33. E vou fazer uma das piores festas.

É uma festa que me dá cabo do juízo. Tem tudo, tudo junto, e numa enorme salgalhada. Resultado: nem bandas, nem ranchos, nem carros de choque, nem nada. Vale pela procissão, pequenina, mas com andores que batem o record do mundo.

De resto, de manhã um concertozinho, depois o almoço, e depois outro concertozinho, e depois os ranchos, a procissão, o jantar e outro concertozinho. Todos a rondar a 1h30. Chamam duas bandas para uma festa que se fazia bem com nenhuma. Nos concertos não se ouve nadinha (graças ao sonoro dos carrinhos de choque) e a festa é demasiado movimentada para tão pouco espaço. Por fim, o "conjunto" nem espera que as bandas acabem, e desata a tocar ainda as bandas estão nos coretos.

Enfim, uma valente confusão. Se eu mandasse, nunca mais lá ia. Mas como quem manda é o presidente...

MARINHO E PINTO

Se há pessoas que eu não gosto, é das oportunistas. Principalmente porque não são apenas oportunistas, têm problemas de carácter que eu não aprecio, de maneira nenhuma.

No início do mandato de Passos Coelho, a maior oposição não era de Seguro, mas sim de Portas. Não queria isto, e se fosse avante deitava tudo por terra, e depois, nas coisas boas, lá aparecia na fotografia a dizer: "Eu também cá estou". Mesmo que se soubesse que borrava a pintura toda fora da fotografia. Passos, e bem, chamou-o à pedra e ele teve de engolir os cortes e os impostos e tudo o mais.

Marinho e Pinto fez algo parecido. Poucos o conheciam quando chegou a Bastonário da Ordem dos Advogados. Fez um trabalho que é elogiado e criticado. Eu não digo nada, porque não percebo nada daquilo. Mas o que marcou mais foi o seu discurso, à justiceiro "Robin dos Bosques". E que, quando se candidatou, por um partido que lhe deu a mão (porque senão não podia ir), conquistou uma determinada percentagem de votos que o levou a ele (e a um companheiro de circunstância - não a de Vara) para Bruxelas.

Lá, deu-se conta que aquilo afinal não prestava. Mas continua lá a receber as mordomias que tanto critica. E agora, mais uma ferroada: vai criar um partido novo! Ou seja, de uma assentada, trai tudo aquilo que diz acreditar e respeitar, só porque teve uma determinada percentagem de votos. Que oportunista. O meu desejo é que seja feliz e que lhe aconteça aquilo que por norma acontece aos oportunistas. Mais nada.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PAULO BENTO

Vou ter de ser coerente e dizer que estava errado. Defendi, tal como aconteceu com Hodgson em Inglaterra, que deveria continuar. Apesar de tudo, tinha umas meias finais num campeonato da Europa (e com um grupo de fugir), o que, bem vistas as coisas não é assim tanto um sinal de incompetência.

Mas a incapacidade de renovar a Selecção e pô-la a jogar futebol (sim, que jogar à bola é diferente, e a Selecção até joga aos repelões que era de fugir), tal como aconteceu nos últimos tempos do Sporting, fazem-me acreditar que Bento não é treinador para grandes equipas nem para grandes desafios.

O jogo contra a Albânia, que eu não vi, mas li relatos (que valem o que valem), foi o corolário. Uma equipa que não o foi, que, sem Cristiano, é demasiado vulgar e que não tem ninguém que seja capaz de fazer a diferença.

Pelo que era então expectável que, mais dia, menos dia (eu não esperava tão cedo), Paulo Bento acabasse por sair ou por ser demitido. Foi a solução intermédia: um acordo amigável.

Sucessores? Toda a gente fala em Vitor Pereira (que para mim é um patinho feio, nunca me convenceu, mas que foi bicampeão no FCP), em Manuel José (que só deu provas do que valia no Egipto e no Boavista e, um bocadinho, no Belenenses), ou então em Fernando Santos (que saiu sempre pela porta pequena nos grandes em Portugal, foi campeão no Porto, foi quem mais luta deu ao Porto de Mourinho no Sporting, e o despedimento mais estúpido de Vieira, mas que nunca foi bem amado em nenhum dos três grandes), que fez um trabalho interessante na Grécia, tendo em conta os recursos que tinha à disposição. Dos três, não gosto de nenhum.

Quem escolhia? Não sei. Mas teria que ser alguém de fibra. Alguém que se impusesse pela sua personalidade e que não fosse influenciado por empresários. O problema é que não me lembro de ninguém assim que seja capaz de vir cá fazer qualquer coisa e que seja baratinho...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

COSTA vs SEGURO

Tem sido uma campanha extremamente pobre. Ao contrário de todas as expectativas. A começar pelas minhas. Eu esperava uma campanha a sério. Onde se debatessem ideias e estratégias. A sério.

Mas não. Ou foi um que traiu, ou foi outro que não dava a injecção de confiança. Ou seja, questões que não interessam a ninguém. Ontem, na TVI foram 15 minutos a ajustar contas com o passado e mais 15 minutos a falar de mais não sei bem o quê.

Hoje já foi diferente. Já se debateu qualquer coisa. Quanto mais não seja para dizer que é mais o que os une do que aquilo que os separa. Costa diz, Seguro diz com outro nome. Seguro propõe, Costa propõe com outra capa. Mas, na prática é o mesmo.

Não se debate aquilo que se deveria debater. Finanças. Todos dizem que a dívida subiu por causa deste Governo e que o défice é maior do que o do Memorando. Todos demonstram ignorância no que toca a esta matéria. O défice derrapou porque já tinha derrapado antes de começar e por consequência a dívida também derrapa. Esquecem-se de falar na almofada de segurança que o Goveno foi criando (bem ou mal, isso é outra conversa).

Ou seja, estou curioso para ver o terceiro debate na RTP, daqui uns dias. Mas espero que seja mais elucidativo. Senão terei que votar em Pedro Passos Coelho. Desta vez não por ser o melhor, mas por ser o menos mau. E tenho pena.

BAIXA E ALTA AUTO-ESTIMA

Uma série de conversas que tive com diversas pessoas nos últimos tempos revelaram-me que sofro de um problema chamado baixa auto-estima.

Por norma tendo a valorizar aquilo que faço menos bem e a desvalorizar aquilo que faço bem. Considero que aquilo que faço bem resulta de uma obrigação que tenho (afinal, tenho cérebro para alguma coisa deve ser) de o fazer e, quando não o faço é porque deveria ter feito e não usei todas as minhas capacidades.

Como por norma são mais as coisas que faço bem do que as que faço menos bem, cognitivamente posso também sofrer de um bom problema chamado "alta auto-estima". Pelo menos pensava eu. Afinal, também podia pensar que errar é humano e que as coisas boas que vou fazendo me podem aumentar a auto estima (um bocadinho naquela do: "estás a ver como és capaz? é só fazer!"). Mas eu prefiro pensar pela primeira forma, uma vez que me obriga a ser exigente comigo próprio. Pelo menos a meu ver. Se eu puser a minha fasquia mais alto, mais difícil se torna de os atingir. E se não os atingir, a minha auto-estima baixa.

Onde tenho, definitivamente, um problema de baixa autoestima é na parte da aparência física. É também fruto dos "brindes" de que fui alvo durante toda a infância e início da adolescência (quem me conhece sabe bem do que falo). Tornaram-me muito menos confiante que a maioria dos rapazes da minha idade. E que me tornam muito mais tímido no que toca a relações com o sexo oposto. E que me fazem pensar sempre que nenhuma rapariga, que eu considere interessante (claro!), se irá interessar por mim.

É também por isso que toda a gente me pergunta porque é que eu nunca arranjei uma namorada. É tão difícil de entender assim?

segunda-feira, 28 de abril de 2014

JORGE JESUS

Acabou na prática hoje a época do FC Porto. Uma época para relembrar. A todos os níveis.

Para os portistas, que diziam, como eu dizia, mal de Vitor Pereira, que afinal é sempre melhor o menos mau certo que o bom incerto, porque pode sair asneira, como saiu. E que lutas internas afectam não só os lutadores como toda a estrutura que lhe subjaz. Consta-se que existem correntes internas para a sucessão de Pinto da Costa. Como isso vai ter que acontecer um dia, não convém destruir o clube antes disso. E depois a formação do plantel, deficiente a todos os níveis. Escreverei sobre isso um dia destes.

Para os benfiquistas fica aquilo que eu já escrevi há anos e que basta consultar o histórico deste blog. Para um treinador mostrar trabalho são preciso anos, e casos como o de Villas Boas são anormais e raríssimos. Por isso, no lugar de Vieira teria feito exactamente o mesmo, renovado com Jesus, depois do bom ano que tinha feito (apesar de não ter ganho nada), e dos jogadores que potenciou (Luiz, Coentrão, Ramires, Di Maria, Cardozo, etc). Do mesmo modo que fui contra a dispensa de Jesualdo por Pinto da Costa (apesar de ter corrido bem) que culminou com a contratação de Villas Boas.

O que aconteceu este ano com o Benfica aconteceu, com as devidas adaptações, com o Bayern no ano anterior. É sempre preferível continuar com uma estrutura que promete bons resultados do que mudar à minima contrariedade (como se faz frequentemente em Portugal). Por isso este acto de belíssima gestão de Vieira tem que ser louvado e tem que ser felicitada a equipa do Benfica, na pessoa do seu treinador, por mais uma época de grande nível. Por mais que isso me custe.

Pode ser que o Benfica tenha dado uma lição de gestão ao futebol português e europeu. Afinal, agora que está na moda despedir treinadores porque as coisas não correm imediatamente bem, é bom ver (por mais que doa) que o exemplo contrário é bem sucedido. Os casos de Ferguson no United e de Moyes no Everton (uma equipa do meio da tabela para baixo, que se tornou cliente assídua das competições europeias em 11 anos) e em Portugal de Pedro Martins no Marítimo (com o mesmo treinador em 4 anos conseguiu potenciar muitos jogadores da equipa B e ir às competições europeias com um plantel de tostões) mostram exactamente isso. A questão está em saber terminar a tempo. Mas aos treinadores tem que ser dado tempo e condições para fazerem o seu trabalho. O resto virá com o trabalho.

segunda-feira, 17 de março de 2014

VLADIMIR PUTIN

Gosto de escrever, por norma, depois de deixar a poeira assentar. Neste caso é isso que procuro fazer.

Como este fim de semana mal estive em casa não acompanhei os preparativos para o referendo e apenas soube hoje que tinha ganho o lado pró-Russia, com 93% dos votos. Nesta versão anexadora (do género não vem tudo, mas vem uma parte de cada vez) de Putin, podemos sempre comparar com a de Hitler, que aquando da anexação da Austria, esta foi votada por 97% dos então austríacos, longe de saber ao que iriam.

No que toca à parte estratégica da coisa, Putin está claramente à procura de deter o controlo de um pedaço de mar que existe entre a Rússia e a Ucrânia e deter um acesso priveligiado ao Mar Negro. Esta parte não sei explicar bem porquê. De todo o modo, é uma  questão estratégica, tal como a que presidiu à invasão da Geórgia.

No que toca à Comunidade Internacional, é no mínimo salutar que tudo aquilo que se faça tem como objectivo convencer, sem ofender, o sr. Putin. De facto, a Alemanha depende como de pão para a boca dos gasodutos russos (senão lá se ia a produtividade alemã... do mal o menos, o nosso vem por África... não sei o que será pior). Do lado americano, é de salientar as sanções que se ameaçam e que nunca mais saem do papel.

Não nos podemos esquecer que a América está, em traços muito gerais, falida. E que a Inglaterra, ao fim de alguns anos de políticas expansionistas está a cortar, e bem cortadinho, os gastos que andam a fazer, porque não tem havido muito dinheiro por aqueles lados. É por isso que eu defendo Merkel. Nunca podemos perder o valor do nosso dinheiro. Renegociar dívida, aumentar défices, injectar dinheiro na economia, enfim todas essas coisas têm um único beneficiário: os EUA, cujo dólar perde valor de dia para dia. É também por isso que as nossas yelds estão a baixar.

Putin apenas aproveitou este "buraco" no equilíbrio global e começou por dar um rebuçado à Ucrânia. O então presidente, já contestado, aceitou e o povo fê-lo cair. O novo Governo não conseguiu manter a unidade territorial (faz lembrar o pós-25 de Abril... substituiu-se um mau governo por outro pior...) e a Crimeia, internamente russa, quis sê-lo na prática. E Putin fica todo contente. E, de repente, toda a zona do Mar de Azov já quer pertencer à Federação Russa. Sendo uma zona de equilíbrios sempre frágeis, é bom saber quanto tempo poderá tudo permanecer tranquilo nesta nova ordem mundial.

De todo o modo, a primeira conclusão que se pode tirar é que o homem não é estúpido. Nada estúpido.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

2014

A minha irmã decidiu ir para a Finlândia. Não se preocupem porque ainda não emigrou. Foi apenas ao abrigo do programa Erasmus. Ao fim e ao cabo acaba por ser uma mudança na vida, que já lhe fazia falta e custou mais aos meus pais que a ela. Daqui por 90 dias ela já está de volta.

Quanto a mim, continuo na mesma. Quero acabar a minha tese e arranjar emprego. Depois de um ano à procura disso, e que tédio não fazer mais nada do que isso e a minha tese, quero ver o que posso fazer da vida. Afinal já vou a caminho dos 25 anos e é aborrecido estar a depender dos meus pais. Mas pronto, é a vida e o que temos.

Se bem que 2013 não foi de facto um ano para recordar, apesar das muitas coisas boas (VR Clarinete Ensemble, as bandas, os amigos, etc.) que vivi durante o ano. Será que é em 2014 que isto vai mudar?

2013

Eu sei que não tenho escrito muito. De facto, não tenho tido muita vontade de escrever, e o que tenho feito tem sido no facebook. A modos que toda a gente que queira pode sempre consultar aquilo que penso e as evoluções que faço na forma de ver o mundo. O que pensava há um ano não é necessariamente aquilo que penso hoje.

Mas voltando ao que interessa, este ano foi mais um na luta contra a crise. Mudamos o Ministro das Finanças e aprendemos um novo significado da palavra "irrevogável". Mas continua tudo na mesma, porque, afinal, ainda estamos em Portugal. Portugal que voltou ao crescimento e a uma nova vaga de emigração. Ao fim e ao cabo é uma exportação daquilo que produzimos a mais, como os enfermeiros. A minha irmã diz-me que o Porto produz cerca de 500 enfermeiros todos os anos e Lisboa mais 300. A UTAD cerca de 80 e assim já vamos em 880, aproximadamente (contradigam caso seja errado...), fora os privados, e não se vê unidades de saúde novas e as que se criam contratam quem já está no mercado, pelo que acabam sempre por sobrar e têm que sair para outros países para trabalhar. Com os engenheiros e economistas é exportação de qualidade e ficam cá os maus.

Comigo, tudo na mesma. Continuo desempregado, à procura de emprego, a concluir a minha tese e entretido com as bandas. Já vi que o clarinete não vai ser a minha forma de vida, apesar de gostar muito de tocar clarinete. As bandas continuam na mesma e vou conseguindo conciliar tudo, pelo menos por enquanto. Na catequese as coisas continuam na mesma, mas já decidi que no próximo ano, se der catequese, porque não sei o meu futuro, não vai ser aos mesmos deste ano. Eles já precisam de um catequista novo.

Futuro? Vamos ver. Afinal de contas, nunca se sabe as voltas que a vida dá...